Esta semana A Investigação trabalhou bastante. Publicamos 16 reportagens. Foram quase 3 por dia. O principal eixo da cobertura foi a crise aberta pelo relatório da PF sobre as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao número salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. A partir das 218 páginas do documento, identificamos personagens, reconstituímos a tecnologia usada nas comunicações, cruzamos datas e mostramos contradições que haviam passado despercebidas.
A reação de Moraes abriu uma segunda frente. O ministro usou um dossiê apócrifo da PF para acusar André Mendonça dentro do Inquérito das Fake News. Analisamos as quatro peças, comparamos o conteúdo com a decisão, rastreamos sua cadeia institucional e examinamos os metadados da versão entregue ao público.
Tudo isso foi publicado sem abandonar as investigações que já estavam em andamento. A série Bet Files ganhou duas novas reportagens, revelamos a existência da “PJ Móvel” nas viagens de Lula e examinamos o tratamento desigual dado pelo TSE às estruturas digitais das campanhas presidenciais.
Toda essa cobertura foi produzida sem um centavo de dinheiro público, sem publicidade estatal e sem o financiamento de grupos políticos. A Investigação existe porque seus leitores decidiram sustentar um jornalismo que abre documentos, confronta versões oficiais e procura o que ficou escondido nas entrelinhas.
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Confira o que publicamos:
O relatório da PF, Vorcaro e a cúpula das instituições
Em “Vorcaro pagou Metrópoles e escritório da mulher de Moraes no mesmo dia”, mostramos que o portal e o Barci de Moraes Sociedade de Advocacia foram pagos na mesma noite e pela mesma estrutura operacional do banqueiro. Vorcaro demonstrou preocupação ao saber que o escritório havia recebido por Pix. A conversa não menciona pautas ou jornalistas, e a reportagem registra que o Metrópoles é um dos veículos que mais publicaram revelações contra o dono do Master.
Vorcaro pagou Metrópoles e escritório da mulher de Moraes no mesmo dia, aponta relatório da PF
Uma mensagem extraída do celular de Daniel Vorcaro mostra que o portal Metrópoles e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foram pagos na mesma noite pelo grupo do banqueiro.
Em “Relatório da PF: Gonet pediu a candidato que desistisse a mando de aliado de Vorcaro”, recuperamos o áudio em que Ciro Soares afirma ter pedido a Paulo Gonet que convencesse um concorrente a abandonar a disputa pela presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. A desistência beneficiou Jarbas Soares Júnior, cuja eleição foi comemorada por Vorcaro. A reportagem revelou ainda que Jarbas, hoje candidato a vice-governador de Minas na chapa petista de Patrus Ananias, já havia viajado em jatos de Lucas Kallas.
A reportagem “‘Gente de baixo’: Vorcaro fez lista negra de investigadores do Master ao pedir blindagem a Moraes” identificou os agentes públicos anotados pelo banqueiro seis minutos depois de ele pedir que Andrei Rodrigues e Paulo Gonet impedissem subordinados de atrapalhar seus planos. Entre os nomes estavam o diretor nacional da PF Dennis Cali, delegados que investigavam o Master, o chefe de gabinete de Gonet e o procurador que pediu a prisão de Vorcaro.
"Gente de baixo": Vorcaro fez lista negra de investigadores do Master ao pedir blindagem a Moraes
O relatório de análise da Polícia Federal (IPJ-A nº 3298613/2026), produzido a partir da extração forense do iPhone de Daniel Vorcaro e liberado nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, por decisão do ministro André Mendonça, contém uma lista de sete nomes anotada pelo próprio banqueiro em 30 de outubro de 2025 — seis minutos depois de escrever que er…
Em “Como o relatório da Polícia Federal desmontou narrativa de Moraes sobre mensagens de Vorcaro”, reconstituímos a demonstração técnica feita pelos investigadores. A PF cruzou notas, capturas de tela, arquivos temporários do iPhone e registros do WhatsApp para comprovar que as imagens eram enviadas ao contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O relatório documenta também mensagens de retorno, embora não revele seu conteúdo nem demonstre que os pedidos do banqueiro foram atendidos.
O cruzamento de datas sustentou “Vorcaro pediu para Moraes conter PF e PGR no mesmo dia em que STF tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação”. Enquanto a Primeira Turma formava unanimidade para receber a denúncia contra Eduardo por tentar pressionar autoridades brasileiras, Vorcaro perguntava ao contato atribuído a Moraes se era hora de deixar o país e se seria possível reverter medidas contra o Master com Gonet ou Andrei. O relator do processo contra Eduardo era o próprio Moraes.
Relatório da PF: Vorcaro pediu para Moraes conter PF e PGR no mesmo dia em que STF tornou Eduardo Bolsonaro réu por coação
Na manhã de sábado, 15 de novembro de 2025, Cármen Lúcia registrou o quarto voto da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para receber a denúncia contra Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo. O Globo noticiou naquele dia que a unanimidade já estava formada. Relator do caso, Alexandre de Moraes sustentava que o deputado havia artic…
As revelações tiveram consequência institucional. A publicação “Advogado protocola reclamação no CNMP contra Gonet e pede afastamento cautelar no caso Master” mostrou que Wallace de Oliveira levou o relatório da PF ao órgão responsável por fiscalizar o Ministério Público. O pedido requer que a Corregedoria apure a conduta do PGR, determine seu impedimento no caso Master e avalie seu afastamento durante a investigação.
Advogado protocola reclamação no CNMP contra Gonet e pede afastamento cautelar no caso Master
O advogado Wallace de Oliveira protocolou, nesta terça-feira, 1º de setembro, uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, com pedido de afastamento cautelar e de impedimento para atuar no caso Ban…
A cobertura alcançou ainda a conexão entre Vorcaro e Nikolas Ferreira. Em “Áudio de Nikolas a Vorcaro confirma negócio que A Investigação mapeou em maio”, mostramos que o deputado usou seu acesso pessoal ao banqueiro para aproximá-lo do advogado Thiago Faria, que negociava um ativo minerário. A cronologia converge com o contrato para intermediar a retomada e a venda da lavra da Topázio Imperial, revelado anteriormente pelo site. O áudio não identifica a área pelo nome nem prova que houve reunião ou negócio concluído.
O dossiê apócrifo usado contra Mendonça
Em “Moraes distorceu dossiê apócrifo da PF para acusar Mendonça no Inquérito das Fake News”, comparamos palavra por palavra as peças e a decisão. Mais da metade do texto útil assinado por Moraes saiu do dossiê. O ministro omitiu 28 graduações de confiança, apagou seis advertências sobre a ausência de valor probatório e apresentou como conclusões da PF hipóteses que o próprio material classificava como provisórias ou não sustentava.
Depois, “Da PF ao gabinete de Moraes: as pistas do autor do dossiê contra Mendonça” reconstituiu a cadeia institucional das peças. Duas rotas internas convergem na Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção e na DICOR, dirigida por Dennis Cali — o mesmo delegado colocado por Vorcaro no topo da relação produzida após o pedido para conter a “gente de baixo”. A conexão não prova que Cali tenha escrito ou autorizado o material, mas delimita onde a PF precisa procurar as respostas.
Por fim, “Metadados do dossiê de Moraes contra Mendonça registram nome de assessor citado na Vaza Toga” mostrou que o PDF público não é o arquivo nativo. As páginas foram impressas e digitalizadas numa multifuncional HP mais de uma hora depois de a decisão estar assinada, o que eliminou os metadados da versão eletrônica anterior. O novo arquivo registra “Jefferson.Silva” no campo de autor. O identificador coincide com o nome de um assessor de Moraes citado na Vaza Toga em conversas sobre como mudar a origem formal de relatórios usados no mesmo Inquérito 4.781. O dado vincula tecnicamente a cópia pública ao perfil, mas não identifica quem escreveu as quatro peças.
As bets e o uso seletivo do aparato estatal
A terceira reportagem da série, “Governo Lula autorizou todas as bets que havia barrado após alertas da PF”, revelou que Vaidebet, Sportvip, Esportes da Sorte e 1xBet foram inicialmente rejeitadas após informações policiais, mas todas terminaram liberadas. A Hiper Bet também teve o processo interrompido por um alerta da PF e depois recebeu autorização. Os relatórios policiais permanecem tarjados, o que impede o público de confrontar as suspeitas com as explicações aceitas pela Fazenda.
Em “Governo Lula liberou bet russa sem mostrar prova que ele mesmo exigiu”, mostramos que a Fazenda condicionou a licença da 1xBet à identificação dos donos da empresa cipriota que cedeu a marca e à comprovação de que eles não tinham ligação com seus fundadores russos. A exigência desapareceu dos pareceres posteriores. Os documentos públicos não mostram a prova, a diligência nem a explicação de como a condição foi superada.
A diferença de tratamento no processo eleitoral foi examinada em “Toffoli congela campanha de Renan por perfis omitidos enquanto ignora máquina digital pró-Lula fora do registro”. Sem provocação de adversário ou manifestação prévia do Ministério Público, Dias Toffoli bloqueou recursos, suspendeu Renan Santos de debates e ordenou a retirada de perfis por causa de canais informados com atraso. Estruturas que pedem votos para Lula, como Pode Espalhar, Casa 13, Comitês Populares e Lulaverso, continuavam fora da relação oficial da candidatura e sem medida equivalente.
Em “A guarda pretoriana de Lula: como a PF passou da segurança presidencial à polícia da honra”, fontes da corporação revelaram a existência da “PJ Móvel”: uma viatura com delegado e escrivão preparados para identificar críticos e abrir procedimentos durante viagens presidenciais. A reportagem reuniu casos envolvendo faixas, memes, caricaturas, gritos e até uma rede de wi-fi, além de mostrar o crescimento das requisições do Ministério da Justiça para investigar possíveis ofensas a Lula.
Checagem, memória e contato com os assinantes
A reportagem “Operação na Flórida localizou 163 crianças desaparecidas, mas cobertura sensacionalista distorce o problema” confrontou a versão de que uma rede internacional de tráfico com ligação brasileira teria sido desmantelada. A operação localizou 163 crianças e levou a três prisões, mas as autoridades não demonstraram conexão entre os casos. Os dados americanos mostram que a maior parte dos registros envolve fugas, disputas de guarda e negligência, não sequestros cometidos por desconhecidos.
A visita de Leonardo DiCaprio ao Planalto serviu de ponto de partida para relembrarmos a campanha de 2022 voltada ao alistamento de adolescentes. A investigação revelou pessoas ligadas ao PSOL, entidades financiadas por fundações estrangeiras e prêmios oferecidos a quem convencesse jovens a tirar o título. Não encontramos prova de que DiCaprio ou outros artistas tenham sido pagos nem de que os requisitos de um ilícito eleitoral tenham sido preenchidos.
Recebido por Lula e Janja no Planalto, DiCaprio impulsionou campanha por voto jovem ligada à esquerda em 2022
O ator Leonardo DiCaprio foi recebido nesta quarta-feira, 2 de setembro, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela primeira-dama Janja no Palácio do Planalto. A reunião durou aproximadamente 40 minutos e teve como pauta oficial a preservação da Amazônia, as mudanças climáticas e as políticas ambientai…
No 22º Dossiê Semanal, apresentamos as principais descobertas sobre Vorcaro, Moraes, Gonet e as bets. O programa reuniu o conteúdo das reportagens, explicou o método usado pela PF para recuperar as mensagens e mostrou como os diferentes documentos se conectam.
Também realizamos o terceiro Café dos Assinantes, encontro reservado aos leitores que sustentam A Investigação. A live tratou da Vaza Toga 5, da série Bet Files, da crise entre Moraes e Mendonça e dos bastidores das apurações em andamento.
Live Exclusiva: Café dos Assinantes – Episódio 3
Hoje, às 21h (horário de Brasília), teremos o segundo encontro exclusivo do Café dos Assinantes em A Investigação.




















