O Círculo de Minas encurralado: operações da PF confirmam apurações de A Investigação
Reportagens publicadas por A Investigação revelaram a mesma rede que a PF indiciou nos relatórios finais das operações Rejeito e Parcours.
Em 26 de junho de 2026, a Polícia Federal concluiu os relatórios finais das Operações Rejeito e Parcours e indiciou 51 pessoas por organização criminosa, lavagem de ativos, corrupção ativa e passiva, usurpação mineral e crimes ambientais. Entre os indiciados estão o presidente da Agência Nacional de Mineração, Mauro Sousa, e dois servidores da agência; o empresário Lucas Prado Kallas, membro do “Conselhão” do presidente Lula; Luís Fernando Franceschini da Rosa, o “Gaúcho”; e Bruno Luciano Henriques.
Cinco dias antes, em 18 de junho, uma segunda fase — batizada de Operação Contrassabotagem — prendeu Alan Cavalcante do Nascimento, dono da Fleurs Global e já detido desde setembro de 2025, e sua esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, suspeitos de operar uma estrutura privada de espionagem para comprometer as próprias investigações.
Os indiciamentos nomeiam formalmente o que ficou conhecido como Círculo de Minas — a rede de empresários, servidores e operadores políticos investigados por captura sistêmica do licenciamento mineral em Minas Gerais. As cinco reportagens publicadas por A Investigação entre 11 e 19 de junho haviam mapeado essa arquitetura e foram mais longe do que os relatórios finais da PF. E há uma variável em aberto: segundo fontes, Rodrigo Teixeira — delegado da PF que já foi o número três da instituição no governo Lula — negocia delação premiada.
O esquema
A Serra do Curral é o perfil de Belo Horizonte. O paredão verde que define a silhueta da cidade tem proteção federal do IPHAN desde 1960 — o que não impediu que fosse escavada ilegalmente por quase uma década. A PF calcula que o dano ambiental causado na Mina Granja Corumi chegou a R$ 832 milhões, com lucro ilegal estimado em R$ 708 milhões. Os peritos descreveram o resultado como “distopia ambiental”: uma cratera de 70 metros de profundidade aberta na encosta, destruição do Córrego Taquaril — que secou em 2017 — e contaminação do aquífero a 80 metros de profundidade.
A operação foi detalhada por A Investigação na reportagem O Gaúcho e os Laranjas da Serra do Curral. O texto mostrou como Franceschini montou uma estrutura em camadas para separar o passivo ambiental da liquidez: a Empabra no fundo, responsável pela operação e pela devastação; a Mônada, a Silenda e a Corumi Participações no topo, detentoras dos lucros. No meio, comercializadoras que compravam minério da Empabra por R$ 70 por tonelada e o revendiam ao mercado com margem superior a 60% — retida fora do alcance imediato dos peritos. A sentença trabalhista da 46ª Vara de BH, de abril de 2025, já havia reconhecido as empresas como um único grupo econômico com “sócio comum, Sr. Luiz Franceschini”. O relatório final da Parcours chegou à mesma conclusão — e indiciou 17 pessoas.
O indiciamento de Kellen Rocha por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica é uma das confirmações mais precisas da série: nos autos do IPL 2024.0046355 e em mensagens analisadas pela reportagem, ela era identificada como a pessoa que centralizava pagamentos, autorizações e comunicações do grupo. O indiciamento de Ana Laura Braga de Carvalho por associação criminosa confirma outro dado que A Investigação havia levantado: segundo depoimentos, ela era a bacharelanda em Direito sem OAB que retinha o certificado de assinatura eletrônica do diretor formal da Empabra — instrumento real de controle da empresa.
O minério que virava legal
O mecanismo que transformava extração ilegal em produto comercializável foi descrito por A Investigação na reportagem O Terceiro Manuscrito Omitido. O processo, chamado de blendagem, consistia na mistura do minério extraído ilegalmente com material legalizado de outras minas antes da venda às compradoras finais. Análises químicas não distinguem a fonte. A documentação fiscal aponta apenas as origens legais. Era esse mecanismo que tornava possível — e até provável — que as empresas compradoras não soubessem da origem ilegal do que recebiam.
As compradoras finais constavam no terceiro dos manuscritos enviados ao celular do delegado Rodrigo Teixeira em 26 de fevereiro de 2021: Vale, Gerdau e Trafigura. Era o único dos três organogramas que nomeava as empresas compradoras — e o único que não apareceu em nenhum veículo durante a cobertura da Operação Rejeito, entre setembro e dezembro de 2025. A Investigação foi o primeiro veículo a torná-lo público. O que o manuscrito acrescenta às informações públicas já existentes sobre as compradoras é o mecanismo completo — da terraplanagem de condomínios de luxo em Nova Lima ao produto entregue nas docas. Nenhum documento da PF, até o momento, acusa Vale, Gerdau ou Trafigura de participação dolosa nesse esquema específico.
A ANM por dentro
O indiciamento do presidente da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Henrique Moreira Sousa, por advocacia administrativa e associação criminosa é inédito na história da agência. A acusação descreve “manutenção de canal pessoal e privilegiado de interlocução com os regulados” — especificamente com Franceschini.
A existência de um canal privilegiado dentro da ANM havia sido documentada por A Investigação: o diretor Caio Seabra recebia por WhatsApp o trecho exato do voto que leria em sessão colegiada — enviado por Alan Cavalcante, dono da Fleurs Global, uma hora antes da reunião.
O relatório final imputa corrupção passiva a Seabra: R$ 3 milhões em propinas repassadas via escritório de advocacia. O detalhamento do indiciamento chega ao detalhe mais mundano de toda a investigação: a PF encontrou indícios de que Kallas pagou R$ 12 mil por um título de sócio-torcedor do Cruzeiro para Wagner Salles, servidor do setor de mineração da ANM.
Ao lado de offshores, planilhas de margem de 60% e organogramas de 33 empresas, estava um cartão de sócio de futebol. A captura institucional que a série descreveu em termos estruturais tinha, na rotina, a forma de um presente de torcedor.
Diante dos indiciamentos, a ANM publicou nota: “A Agência não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação” e afirma “atuar no exercício de suas competências legais”. A mesma agência cujo presidente foi indiciado por fraudar essas competências.
Lucas Kallas e Lula
O indiciamento com maior alcance político é o de Lucas Prado Kallas. A PF o indicia como gestor operacional da Mina Granja Corumi entre 2014 e 2018 — não como investidor periférico, posição que sua defesa e a Cedro sustentavam, mas como gestor operacional, no centro da estrutura. Os tipos penais incluem usurpação de bem da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa perante órgãos ambientais.
A trajetória de Kallas foi reconstituída por A Investigação na reportagem Quem é Lucas Kallas, sócio de Vorcaro defendido pela esposa de Alexandre de Moraes. Em 2012, fundou a Ferro Phoenix — depois rebatizada Green Metals — com Franceschini e Bruno Luciano Henriques.
Em julho de 2017, a Green Metals — empresa do grupo de Kallas — assinou um Acordo de Confidencialidade com a Vale sobre os rejeitos das barragens Córrego do Feijão e Jangada, um ano e meio antes do rompimento que matou 272 pessoas em Brumadinho. O documento foi assinado por duas representantes da Green Metals e por dois executivos da Vale, incluindo Fabiano de Carvalho Filho — que em agosto de 2024 foi contratado pela Cedro, empresa de Kallas, como vice-presidente Comercial, Estratégia e Projetos.
O que projeta o indiciamento para além do caso judicial é o enquadramento político que o rodeia. Em março de 2025, dois dias após a Operação Parcours ter sido deflagrada e as instalações da mina interditadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou com Kallas o contrato de concessão do terminal ITG-02 no Porto de Itaguaí e declarou publicamente: “Desde que ele foi levado na minha sala, eu descobri na hora que estava conversando com o empresário sério.”
Em setembro de 2025, com a Parcours já em andamento e dois servidores da ANM já afastados por favorecimento ao mesmo grupo, o ministro Alexandre Silveira — responsável pela ANM — participou de evento patrocinado pela Cedro Mineração, empresa do grupo de Kallas, e indicou-o para o Conselho Nacional de Política Mineral, segundo a imprensa. Em janeiro de 2026, por decreto presidencial publicado no Diário Oficial, Kallas foi nomeado para o Conselhão. Em 26 de junho de 2026, a PF o indiciou.
O mesmo ministro Silveira havia indicado, para o mesmo ecossistema investigado, o delegado Rodrigo Teixeira à CPRM e Caio Seabra à diretoria da ANM. Os três foram presos ou indiciados na mesma operação. João Alberto Paixão Lages — o operador central preso na Rejeito — doou R$ 100 mil à campanha de Silveira em 2022. Sua filha doou outros R$ 100 mil no mesmo ciclo. Silveira declarou ter sido “surpreendido” pelas prisões e não é citado nas representações da PF nem nas decisões judiciais da operação.
A defesa de Kallas é conduzida por Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes —, acompanhada pelos filhos do casal. Em 2 de fevereiro de 2026, foi protocolada no STF a Pet 15393 — processo criminal sob segredo de justiça, número único 0163598-36.2026.1.00.0000 —, tendo como requerente L.P.K. e advogada a mesma Viviane Barci. O processo está concluso à Presidência do STF — que cabe justamente a Alexandre de Moraes. O protocolo ocorreu semanas após a soltura dos principais investigados da Operação Rejeito por decisão do ministro Dias Toffoli.
O empresário que espionava os investigadores
Cinco dias antes da conclusão dos relatórios, em 18 de junho, a PF deflagrou a segunda fase da Operação Rejeito. Alan Cavalcante do Nascimento — dono da Fleurs Global, já preso desde setembro de 2025 — e sua esposa, Tayná Vitória Cerqueira Gouveia, foram novamente presos sob acusação de operar uma estrutura privada de contra-inteligência para sabotagem das próprias investigações.
A decisão colegiada da 3ª Vara Federal Criminal de Belo Horizonte, de 17 de junho de 2026, é um dos documentos judiciais mais detalhados já produzidos sobre a operação do Círculo de Minas. Ela descreve como Alan e Tayná contrataram de forma contínua os serviços da Foco Investigações Ltda. — que operava sob os nomes fantasia “Rastrear Investigações”, “Detectar Investigações” e “Elucidar Investigações” — para monitorar magistrados, obter dados bancários e fiscais de terceiros sem autorização judicial e encomendar blitz policial forjada contra uma testemunha. O cardápio tinha preço tabelado: extrato bancário de 30 dias por R$ 3.200; localização de chamadas com identificação do chamador por R$ 2.500; blitz com policiais “parceiros” por R$ 7.000 em BH e R$ 8.000 em Nova Lima.
O alvo mais grave documentado nos autos é o monitoramento do juiz federal Fabiano Verli, para quem foi redistribuído o mandado de segurança de interesse da organização criminosa. Tão logo soube da redistribuição, Alan acionou Tayná: “aquele mesmo trabalho que a gente fez naquela outra pessoa”. Em minutos, a empresa de investigação foi acionada. O levantamento obtido incluiu situação fiscal do magistrado na Receita Federal, endereços, telefones, e-mails, informações sobre veículo, vacinas de Covid tomadas e local de aplicação, score de crédito, compras online e renda individualizada de parentes até o grau de tio e primo. Não satisfeito, Alan estabeleceu contato direto com João Carlos Verli, primo do juiz, mencionando expressamente o processo de interesse do grupo. Dois dias depois, em 17 de setembro de 2025, a Contrassabotagem foi deflagrada.
A decisão colegiada encontrou ainda uma planilha no celular de João Alberto Paixão Lages com mapeamento sistemático de autoridades públicas: procuradores, juízes e membros de entidades civis, com dados de identificação, função e observações sobre posicionamentos políticos — circulando no grupo de WhatsApp “Grupo Minerar”. O document, elaborado por Rafael Nogueira Brandão, ex-sócio de empresa componente direta da Minerar Participações, transforma o padrão de comportamento em sistema intencional: não era informação coletada por curiosidade, era insumo para a gestão de riscos institucionais do grupo.
A decisão fundamentou a prisão preventiva — não temporária, como o MPF havia recomendado — na contumácia documentada ao longo de seis anos: Alan continuou operando o aparato de espionagem enquanto já era réu em ações penais e investigado em inquéritos. O tribunal concluiu que “a atuação não foi episódio isolado, mas método rotineiro e estruturado, refratário a cada novo marco persecutório”, e fixou que somente a custódia cautelar seria apta a interrompê-la.
Lista dos indiciados
Operação Parcours — 17 indiciados
Foco: extração ilegal na Mina Granja Corumi, Serra do Curral. Investigação iniciada em março de 2025, conectada à Rejeito por compartilhamento de provas e pela figura de Alan Cavalcante como ponto de interseção entre as duas estruturas.
Núcleo empresarial
Luís Fernando Franceschini da Rosa — advogado gaúcho apontado pela PF como principal gestor e controlador de fato do grupo econômico, incluindo Empabra, Green Metals e Fides. Imputações: usurpação de matéria-prima da União, lavra sem autorização, crimes ambientais, falsidade ideológica ambiental, corrupção ativa, fraude processual, organização criminosa e lavagem de capitais.
Lucas Prado Kallas — empresário identificado como gestor operacional da mina entre 2014 e 2018. Imputações: usurpação de matéria-prima da União, mineração ilegal, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e indícios de corrupção ativa ou tráfico de influência perante órgãos ambientais.
Bruno Luciano Henriques — sócio-investidor ligado à Green Metals e à Aroeira, descrito como beneficiário econômico do grupo. Imputações: usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Alan Cavalcante do Nascimento — dono da Fleurs Global; teria assumido a cogestão informal da exploração a partir de 2019. Imputações: usurpação de matéria-prima, extração e transporte sem licença, associação criminosa e lavagem de dinheiro. (Figura também como líder da organização na Rejeito.)
Nilo Antônio Soares Norden — diretor de logística e operador de campo. Imputações: usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa e lavagem de dinheiro vinculada à comercialização do minério.
Núcleo técnico
Marco Túlio Naves de Carvalho — geólogo e gerente operacional, acusado de manipular dados técnicos para ocultar a lavra in situ. Imputações: falsidade ideológica ambiental, usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa e fraude processual.
Rômulo Gabriel Araújo Dias — engenheiro responsável pelas operações de campo. Imputações: usurpação mineral, crimes ambientais, associação criminosa, falsidade ideológica ambiental e fraude processual por meio de relatórios operacionais enganosos.
Mauri Lopes Ferreira — geólogo consultor contratado para emitir laudos técnicos. Imputações: falsidade ideológica ambiental e fraude processual por chancelar manifestações técnicas que sustentavam emergências inexistentes.
Nívio Tadeu Lasmar Pereira — geólogo e consultor que atuava como intermediário remunerado perante servidores da ANM. Imputações: corrupção ativa, intermediação de influência, associação criminosa, falsidade ideológica e fraude processual.
Núcleo administrativo e financeiro
Ana Laura Braga de Carvalho — coordenadora jurídica e diretora institucional do grupo. Bacharelanda em Direito que retinha o certificado de assinatura eletrônica do diretor formal da Empabra. Imputações: associação criminosa, falsidade ideológica ambiental e participação em estratégias para manter a lavra sob aparência de recuperação ambiental.
Kellen Roberta Rocha da Silva — gerente administrativa e diretora financeira, identificada nas mensagens como centralizadora de pagamentos e autorizações do grupo. Imputações: associação criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude processual e concorrência para usurpação mineral.
Núcleo de captura institucional — ANM
Mauro Henrique Moreira Sousa — diretor-geral da ANM. Imputações: advocacia administrativa e associação criminosa por manter canal pessoal e privilegiado de interlocução com os regulados, especificamente com Franceschini.
Leandro César Ferreira de Carvalho — ex-gerente regional da ANM/MG, exonerado quatro dias após a Operação Parcours. Enviava minutas de decisões para aprovação prévia do grupo antes de protocolá-las. Imputações: corrupção passiva, fraude processual, associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e facilitação de usurpação mineral. (Figura também na lista da Rejeito.)
Claudinei Oliveira Cruz — servidor da ANM/MG, superintendente substituto de Segurança de Barragens, exonerado no mesmo ato que Leandro. Imputações: corrupção passiva, associação criminosa, falsidade ideológica ambiental, fraude processual e lavagem de dinheiro.
Heleno Maia Santos Marques do Nascimento — conselheiro do COPAM/CBH Paraopeba. Imputações: corrupção passiva, tráfico de influência, advocacia administrativa e associação criminosa por atuar em favor da Empabra perante órgãos ambientais em troca de vantagens indevidas.
Esposas/lavagem
Janaísa Dias Mendes — esposa de Leandro César Ferreira de Carvalho. Imputações: lavagem de dinheiro e associação criminosa por utilizar suas contas para ocultação de recursos incompatíveis com renda declarada.
Kelly Cristina Bonifácio Oliveira Cruz — esposa de Claudinei Oliveira Cruz. Imputações: lavagem de dinheiro e associação criminosa, atuando na dissimulação de vantagens recebidas pelo marido.
Operação Rejeito — 34 indiciados
Foco: organização criminosa para obtenção de licenças ilegais de mineração em áreas protegidas de Minas Gerais, com captura de órgãos ambientais, minerários e de patrimônio.
Núcleo de liderança
Alan Cavalcante do Nascimento — líder da organização, dono da Fleurs Global. Imputações: organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
Helder Adriano de Freitas — co-líder, sócio de Alan e Lages na Minerar Participações. Integrante do grupo de WhatsApp “Três Amigos Mineração”. Imputações: organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
João Alberto Paixão Lages — ex-deputado estadual MDB, descrito pelos manuscritos como eixo central do qual partem praticamente todas as conexões do esquema. No celular da PF, encontrada planilha com mapeamento de autoridades públicas. Imputações: organização criminosa (líder), lavagem de dinheiro, corrupção ativa, tráfico de influência, crimes ambientais e falsidade ideológica.
Núcleo de operação financeira e sociedade
Noêmia dos Santos — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e crimes ambientais.
Felipe Lombardi Martins — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência.
Jamis Prado de Oliveira Júnior — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e falsidade ideológica.
Diana Morais Aleluia Prado — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Alexandre Ignácio Gomes Abrantes — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Alany Cavalcante do Nascimento — (vínculos familiares com Alan Cavalcante). Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Luiz Alberto Monteiro de Barros (Zeca) — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e crimes ambientais.
Luiz Felipe Ribeiro Monteiro de Barros — (familiar de Zeca). Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
Henrique Costa de Seabra — Imputações: organização criminosa, tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Jaime Eduardo Fonseca — Imputações: organização criminosa, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crimes ambientais.
Rafael Nogueira Brandão — elaborador da planilha de mapeamento de autoridades públicas, compartilhada no grupo “Grupo Minerar”. Ex-sócio de empresa componente direta da Minerar Participações. Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e falsidade ideológica.
Lucas Fraga Cruz Cerqueira — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes ambientais e falsidade ideológica.
Gustavo Rezende Calçavari — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crimes ambientais.
Gabriel Thadeu Baya Andrade — controlador da GJM Representações e da Ônix Céu Aberto, empresa citada pela PF como fachada. Responsável pela comercialização do minério blendado. Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
Pablo César de Souza (Pablito) — ex-servidor da ANM, assessor de Rodrigo Pacheco no Senado entre 2019 e 2023, marido da deputada federal Greyce Elias. Identificado como “Calvo” na planilha da Odebrecht. Descrito nos manuscritos como operador com trânsito na ANM. Imputações: organização criminosa, crimes ambientais, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
Danilo Vieira Júnior — Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
José Newton Kury de Oliveira Coelho — Imputações: organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, corrupção ativa e falsidade ideológica.
Núcleo de agentes públicos
Débora Maria Ramos do Nascimento França — ex-superintendente do IPHAN/MG entre 2020 e 2023. Apontada como articuladora de reunião entre João Alberto e o presidente do IEPHA que resultou em ofício favorável ao licenciamento sem estudos técnicos exigidos. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
Rodrigo Gonçalves Franco — ex-presidente da FEAM, exonerado pelo governador Zema dias antes da Operação Rejeito. A PF identificou que cobrou R$ 50 mil para repassar ao subordinado em troca de licença emitida para a Fleurs Global. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental.
Arthur Ferreira Rezende Delfim — ex-diretor de Apoio à Regularização Ambiental da FEAM. Na véspera da prisão em setembro de 2025, ainda representava o órgão em audiência pública na ALMG. Acusado de ajustar e acelerar minutas essenciais ao licenciamento da Fleurs. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental.
Vítor Reis Salum Tavares — servidor público; recebeu contrato simulado do grupo. Teria recebido R$ 12 mil de Kallas em título de sócio-torcedor do Cruzeiro. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental.
Lirriet de Freitas Libório — servidora pública. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e crime ambiental.
Fernando Baliani da Silva — servidor. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental.
Breno Esteves Lasmar — servidor. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental.
Leandro César Ferreira de Carvalho — ex-gerente regional da ANM/MG (figura também na Parcours). Imputações na Rejeito: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e crime ambiental.
Guilherme Santana Lopes Gomes — servidor. Imputações: prevaricação, organização criminosa, corrupção passiva e crime ambiental.
Caio Mário Trivellato Seabra Filho — ex-diretor da ANM, preso em setembro de 2025 por receber R$ 3 milhões em propinas e por enviar voto pronto por WhatsApp a Alan Cavalcante. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e crime ambiental.
Fernando Benício de Oliveira Paula — conselheiro do COPAM que votou em favor da Fleurs após repasse de R$ 5 mil. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e crime ambiental.
João Paulo Martins — ex-presidente do IEPHA-MG, exonerado no dia seguinte à Operação Rejeito. Apontado como responsável por facilitar ofício favorável ao grupo sem estudos técnicos exigidos. Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, violação de sigilo funcional e crime ambiental.
Ênio Marcus Brandão Fonseca — Imputações: organização criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Gilberto Henrique Horta de Carvalho — lobista e cônjuge do sócio formal da Gmais (empresa de Rodrigo Teixeira). Apontado pela PF como articulador junto à ANM e ao IBAMA. Sua empresa recebeu R$ 750 mil da Fleurs Global. No celular: nota em caixa alta “NÃO FALE DE RODRIGO DA PF”. Liberado por Toffoli em 22 de janeiro de 2026 após 129 dias preso. Imputações: organização criminosa, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Operação Contrassabotagem — 2 presos em 18 de junho
Alan Cavalcante do Nascimento — já indiciado nas duas operações acima. Preso novamente por operar estrutura privada de contra-inteligência para monitorar magistrados, obter dados sigilosos sem autorização judicial e encomendar blitz policial forjada contra testemunha (ex-esposa Mônica Mendes).
Tayná Vitória Cerqueira Gouveia — esposa de Alan, apontada como intermediária operacional na contratação e pagamento da empresa de investigação particular. Intermediava demandas, solicitava diligências, realizava pagamentos e repassava resultados a Alan.
Quem ficou de fora
Os relatórios finais da PF indiciaram cinquenta e três. Mas a arquitetura documentada por A Investigação é mais extensa. Vários nomes que aparecem nos manuscritos, nos inquéritos e nos depoimentos colhidos pela reportagem não constam em nenhum indiciamento.
O ministro Alexandre Silveira indicou três pessoas para cargos estratégicos no governo federal — Caio Seabra para a diretoria da ANM, Rodrigo Teixeira para a CPRM e Lucas Kallas para o Conselho de Lula. As três foram presas ou investigadas na mesma operação. João Alberto Paixão Lages, operador central preso na Rejeito, doou R$ 100 mil para a campanha de Silveira em 2022; a filha de João Alberto, outros R$ 100 mil. Silveira não é citado nas representações da PF nem nas decisões judiciais.
O senador Rodrigo Pacheco aparece no topo do organograma de proteção judicial nos manuscritos enviados ao celular de Teixeira — o circuito descrito como “TJMG 2ª instância e TRF — Pacheco”. Foi precisamente a citação de senadores com foro privilegiado que motivou o envio do inquérito ao STF, em outubro de 2025. Pacheco não é investigado.
Pablo César de Souza, o “Pablito” — ex-servidor da ANM, assessor de Pacheco no Senado entre 2019 e 2023 —, é descrito nos manuscritos como operador com trânsito permanente na agência e articulador de nomeações estratégicas. Aparece lateralmente em áudios apreendidos. Não foi investigado formalmente. O advogado Zé Nilton Cury, apontado nos manuscritos como ponto de contato na primeira instância do TJMG, tampouco.
Dentro da estrutura empresarial, a testemunha Leonardo Almeida Ferreira identificou Caique Neiva e Eduardo Alves Ferreira como parte da cadeia de comando da Empabra — o primeiro como operador cotidiano, o segundo como diretor de fachada que recebia R$ 15 mil mensais em espécie sem jamais ter pisado em uma mina. Úrsula Paula Deroma, apontada como sócia oculta da Brava Mineração, enviou áudio a Rodrigo Teixeira após negociação frustrada com a Cedro. Nenhum dos três foi indiciado.
A investigação também não chegou, por ora, às empresas compradoras do minério blendado. Vale, Gerdau e Trafigura são nomeadas no terceiro manuscrito — o organograma que nenhum veículo publicou — como destinatárias da produção que saía das frentes ilegais via blendagem. A PF não as acusou de participação dolosa no esquema.
Há ainda uma variável em aberto. Segundo fontes com conhecimento direto da investigação, Rodrigo Teixeira — o delegado que era o número três da PF, preso em setembro de 2025 e solto por Toffoli em dezembro — negocia acordo de colaboração premiada. Se confirmado, o perímetro do que se sabe hoje pode mudar de tamanho.
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