Quem é Lucas Kallas, sócio de Vorcaro defendido pela esposa de Moraes em investigação da PF
Nome recorrente em investigações sobre mineração irregular, Kallas recebeu elogios de Lula e fechou contratos milionários com o governo.
O escândalo do Banco Master não apenas expôs um dos maiores casos recentes de fraude no sistema financeiro brasileiro, como também abriu uma rara janela para os bastidores do poder. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tornou-se o rosto mais visível do escândalo. Após sua segunda prisão, cumprida pela Polícia Federal (PF) no dia 4 de março de 2026 — determinada pelo ministro do STF André Mendonça no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero —, mais revelações vieram à tona, expondo suas relações obscuras com a cúpula do sistema financeiro e do Judiciário.
Mas, nos bastidores, há outro nome tão ou mais explosivo: Lucas Prado Kallas, empresário do setor de mineração e sócio de Vorcaro em uma de suas várias empresas. Mineiro, assim como o banqueiro, Kallas também construiu, em pouco menos de uma década, uma trajetória marcada por negócios bilionários cercados de controvérsia e, não por acaso, os nomes de ambos aparecem repetidamente no noticiário policial.
Embora cultive a imagem de empresário alinhado ao ESG — com discurso de sustentabilidade, recuperação ambiental e "mineração verde" —, o nome de Kallas aparece em pelo menos quatro operações policiais, federais e estaduais. As investigações apontam, em diferentes contextos, indícios de extração mineral em áreas sem licença ou com licenciamento irregular, danos ambientais documentados por laudos periciais, e irregularidades em contratos públicos — viabilizadas, segundo os investigadores, por meio de estruturas societárias constituídas para obter autorizações e operar no setor mineral. Até hoje, nenhuma dessas investigações resultou em condenação definitiva.
Kallas chegou a ter seu nome e empresas associadas ao seu grupo citados na CPI de Brumadinho, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no âmbito de apurações sobre vínculos contratuais relacionados ao aproveitamento dos rejeitos da barragem da Vale — estrutura cujo rompimento, em 2019, deixou 272 mortos.
Mensagens e e-mails encontrados no celular de Daniel Vorcaro — apreendido pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o Banco Master — revelam que ele e Kallas estiveram juntos em Caracas, hospedados no mesmo hotel durante uma viagem para prospectar oportunidades de negócios no setor petrolífero venezuelano, de 27 de novembro a 1º de dezembro de 2023. Os registros incluem o pagamento de US$ 23 mil (cerca de R$ 121 mil) por duas suítes no hotel onde ambos ficaram hospedados no período. A viagem ocorreu justamente no momento em que sanções americanas contra o petróleo da Venezuela haviam sido temporariamente suspensas.
No entanto, com a retomada das sanções em abril de 2024, após o descumprimento de compromissos eleitorais pelo regime de Nicolás Maduro, Vorcaro recuou e evitou vincular seu nome ao negócio, diante do risco de impacto em suas operações e planos nos Estados Unidos. Kallas, por outro lado, seguiu adiante nas tratativas e, segundo fontes ouvidas pelo portal UOL, teria investido cerca de US$ 50 milhões em projetos ligados à área de consultoria e serviços em petróleo no país — aporte que ele nega.
Três dias após o retorno da viagem, em 4 de dezembro de 2023, Vorcaro e Kallas entraram juntos no Palácio do Planalto em uma reunião que não apareceu na agenda oficial do governo. Nos meses seguintes, o banqueiro voltou outras quatro vezes ao palácio, enquanto Kallas acumulou ao menos sete acessos ao prédio entre 2023 e 2024. Em alguns desses compromissos — realizados separadamente — ambos chegaram a se reunir com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhados de ministros e assessores do governo.
Registros de voo mostram que as agendas de Kallas na Venezuela continuaram mesmo após a retomada das sanções americanas. Dados da plataforma ADS-B Exchange — que compila sinais públicos transmitidos pelas próprias aeronaves para indicar posição, altitude e velocidade — registraram ao menos dois deslocamentos do PP-COA à Venezuela além da viagem documentada pelas mensagens do celular de Vorcaro em novembro de 2023.
Em junho de 2024, dois meses após a reimposição das sanções, a aeronave partiu de Brasília e, três dias depois, deixou Caracas em direção a Miami, com escala nas Bahamas. Em 28 de janeiro de 2025, o PP-COA operou um trajeto interno entre a região de Ciudad Guayana e Caracas, com duração aproximada de duas horas e cinquenta e cinco minutos. O PP-COA está registrado no Brasil em nome da Cedro Air S.A. e é classificado pela plataforma como Bombardier CL-600 Challenger — família que inclui o modelo Challenger 605.
E as semelhanças entre os dois não param aí. Vorcaro e Kallas são representados pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). No caso de Vorcaro, tratava-se de um contrato de suposta consultoria jurídica e atuação regulatória para o Banco Master, com valores que chegaram a R$ 129 milhões. Já Kallas passou a ser defendido pela advogada em fevereiro de 2026, em processo derivado da Operação Parcours, que apura suspeitas de exploração ilegal de minério na Serra do Curral, em tramitação no TRF-6 e no STF.
Os caminhos dos dois empresários também passaram pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, no Supremo Tribunal Federal (STF). No caso do Banco Master, Toffoli assumiu inicialmente a relatoria, mas deixou o posto após mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mencionarem o próprio ministro em tratativas relacionadas a aportes financeiros ligados ao resort Tayayá, do qual já havia sido sócio por meio de empresa familiar.
No caso de Kallas, inquéritos que investigam supostos esquemas de corrupção no licenciamento de empreendimentos minerários em Minas Gerais, chegaram à Corte por citarem autoridades com foro privilegiado e também passaram a tramitar sob sua relatoria. Posteriormente, o inquérito foi elevado por Toffoli ao grau máximo de sigilo. O sigilo imposto por Toffoli era tão extremo que nem mesmo os investigadores da PF tinham acesso ao número do processo, precisando solicitar formalmente ao STF em dezembro de 2025. Reportagem da Agência Pública registra que decisões posteriores substituíram prisões preventivas por medidas cautelares, inclusive de investigados apontados como centrais nas apurações.
Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez ao tentar deixar o país em um voo para Dubai. Desde então, fontes relatam que Lucas Kallas passou a evitar o Brasil e a concentrar longas temporadas no exterior, especialmente em Miami, em meio à expectativa de avanço das investigações da PF sobre a Serra do Curral e a Operação Rejeito — movimentos que teriam como objetivo não repetir o erro de Vorcaro de ser alcançado por uma ordem de prisão ainda em solo brasileiro.
Nossa reportagem procurou Lucas Kallas para manifestação. Foram enviados diversos questionamentos. Até o momento desta publicação, não houve retorno. O espaço permanece aberto.
Os encontros palacianos
Algo comum nas visitas de Daniel Vorcaro e Lucas Kallas ao Palácio do Planalto: nenhuma delas apareceu na agenda oficial do governo. A existência desses encontros só veio à tona posteriormente, por meio de registros obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).
O primeiro registro identificado é justamente o já mencionado encontro de 4 de dezembro de 2023, quando o banqueiro entrou no palácio acompanhado do empresário Lucas Kallas. Segundo o controle de acesso do Gabinete de Segurança Institucional, os dois passaram pela portaria no mesmo minuto, às 15h42. Questionada, a Secom informou que, na data do acesso, Lula estava em missão oficial na Alemanha e que Vorcaro e Kallas "não foram recebidos pelo Gabinete do presidente nem por ministros". A nota não explica o motivo do registro de entrada no GSI nem informa com quem os dois se reuniram.
Outras entradas do banqueiro no Planalto aparecem nos registros oficiais ao longo de 2024. Ele esteve no palácio em 1º de março e em 3 de abril daquele ano, novamente em compromissos que não constaram da agenda pública. Na visita de abril, minutos depois da chegada de Vorcaro, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, também entrou no prédio em compromisso igualmente sem registro oficial. Em 6 de novembro de 2024, quem apareceu no palácio foi Henrique Vorcaro, pai do banqueiro.
A interlocução com o governo atingiu o nível mais alto em dezembro de 2024, quando Vorcaro participou de uma reunião com o próprio presidente Lula. O encontro foi articulado pelo ex-ministro Guido Mantega e contou com a presença dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do diretor de Política Monetária do Banco Central Gabriel Galípolo e do sócio do Banco Master Augusto Lima.
Segundo relatos divulgados pela imprensa, Vorcaro afirmou que o BTG Pactual havia demonstrado interesse em comprar o banco por valores simbólicos (apenas um real). Vorcaro disse sentir-se pressionado e perguntou ao presidente Lula se deveria vender a instituição. Lula teria se posicionado contra a venda, criticado o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e aconselhado o banqueiro a seguir adiante. Mensagens apreendidas pela PF mostram Vorcaro comentando com a então namorada, Martha Graeff, que a reunião “foi ótima”.
Kallas, por sua vez, já havia conquistado espaço dentro do próprio entorno político do governo. Em 28 de março de 2019, em meio à crise de Brumadinho e à instalação da CPI na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Lucas Prado Kallas esteve na Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral (SGM) do Ministério de Minas e Energia, em Brasília. No mesmo dia, a CPI analisava requerimentos sobre relações da Vale com a Green Metals, empresa da qual Kallas era sócio.
Na ocasião, Kallas foi recebido por Lília Mascarenhas Sant’Agostinho, então secretária-adjunta da SGM e responsável por atos centrais da política mineral, como portarias de concessão de lavra e despachos minerários. Dezesseis dias depois, o ministério publicou a Portaria nº 136/2019, criando um grupo de trabalho para agilizar autorizações de pesquisa e concessões de lavra na ANM. À época, a Cedro Mineração acumulava pedidos pendentes nesses processos em Mariana e Nova Lima. Lília integrou o grupo e, quinze dias depois, foi eleita para o conselho da CPRM, mantendo presença no núcleo decisório do setor nos anos seguintes.
Pouco mais de um mês após o início do governo Lula, em 13 de fevereiro de 2023, Kallas avançou na interlocução institucional e foi recebido no gabinete do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O registro, obtido via Lei de Acesso à Informação, indica a entrada simultânea de dez pessoas, sem pauta informada.
A composição do grupo, no entanto, revela o nível da agenda. Kallas foi acompanhado pelo núcleo da Cedro — incluindo o CEO José Martins e o diretor jurídico Eduardo Couto —, por executivos de alto escalão da XP Investimentos ligados diretamente à estruturação de operações bilionárias, relacionamento com o governo e avaliação de risco político, além de um sócio do Machado Meyer especializado em mineração e operações estruturadas.
Três meses depois, em maio, Kallas passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS) — o chamado “Conselhão” de Lula — colegiado com 246 membros criado para aconselhar o presidente em temas de política econômica e desenvolvimento. A indicação, segundo a Agência Pública, partiu do próprio ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Questionado por nossa reportagem, Silveira afirmou que a CNN era a organizadora do evento e que não sabia que a Cedro era a patrocinadora. Também negou ter indicado Lucas Kallas ao “Conselhão” de Lula.
Três meses após a nomeação, em agosto de 2023, a Cedro Mineração figurou como patrocinadora máster do Fórum Esfera Brasil, evento fechado realizado no Guarujá que reúne anualmente a cúpula do Executivo federal, do Judiciário e do setor financeiro. Na divulgação oficial da empresa, destacavam-se entre os presentes o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto — e Alexandre Silveira, o mesmo ministro que havia acabado de indicar Kallas para o Conselhão. A Cedro não chegou ao evento como convidada: comprou o maior nível de patrocínio disponível.
O padrão se repetiu em junho de 2024, quando Kallas subiu ao palco do mesmo evento ao lado do ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), do ministro Renan Filho (Transportes) e da secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior — os três responsáveis pela agenda de concessões portuárias do governo federal. Era o painel de abertura do dia principal do fórum. Oito meses depois, Lula assinaria o contrato de concessão do terminal ITG02 no Porto de Itaguaí com a Cedro Participações.
Histórico de investigações
Antes de chegar ao conselho consultivo do presidente, Lucas Prado Kallas já havia aparecido em diferentes investigações criminais ao longo de quase duas décadas. Os casos atravessam setores distintos — obras públicas, mineração e licenciamento ambiental — e incluem suspeitas de fraude documental, extração ilegal de recursos e corrupção de agentes públicos. Até hoje, nenhuma dessas investigações resultou em condenação definitiva.
No início dos anos 2010, Kallas também apareceu como sócio da Cia Mineradora Ferro Phoenix S.A., posteriormente rebatizada como Green Metals Soluções Ambientais S.A., ao lado de Luis Fernando Franceschini da Rosa e Bruno Luciano Henriques. A empresa se apresentava como companhia voltada a soluções ambientais, com projetos de reaproveitamento de rejeitos de minério de ferro em barragens do Sistema Sudeste da Vale, incluindo a barragem B1 da Mina do Córrego do Feijão.
A primeira vez que o nome do empresário apareceu em uma operação policial foi em 2008, na Operação João de Barro. Deflagrada pela Polícia Federal para investigar fraudes em licitações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a ação mirava contratos de obras de habitação e saneamento em prefeituras de vários estados. As empresas investigadas incluíam a Etenge Empresa Técnica de Engenharia e a Conspuri Construtora Xapuri. Segundo os investigadores, o esquema havia desviado cerca de R$ 700 milhões em recursos já repassados, com risco de outros R$ 2 bilhões sofrerem o mesmo destino.
Kallas chegou a ser preso na operação, apontado como operador ligado a empresas que participavam das licitações. O processo criminal acabou sem condenação: parte das acusações prescreveu nos tribunais superiores. Na esfera cível, o Ministério Público Federal mantinha, em abril de 2025, duas ações de improbidade administrativa contra Kallas e outras empresas no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, segundo a revista Veja. Em manifestações públicas, o empresário sustenta que os fatos já foram esclarecidos pela Justiça e afirma que as demais ações foram encerradas com reconhecimento de inocência.
Doze anos depois, o nome de Kallas voltou a aparecer em uma investigação ligada ao setor mineral. Em setembro de 2020, a Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu mandados de busca e apreensão contra a Cedro Mineração, empresa do grupo, nas cidades de Nova Lima e Belo Horizonte, na Operação Ouro Negro. A apuração começou após denúncia de desmatamento em área próxima ao condomínio Morro do Chapéu. Com o uso de drones, os investigadores afirmaram ter identificado não apenas supressão vegetal, mas também extração de minério de ferro em área sem licença ambiental. A empresa declarou na ocasião que colaboraria com as investigações e negou ter realizado desmatamento ou mineração irregular.
Em 2019, o nome de Kallas também apareceu no Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito de Brumadinho da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A CPI requisitou à Vale S.A. documentos sobre contratos ou memorandos firmados com a Green Metals Soluções Ambientais S.A. e seus sócios — Lucas Prado Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano Henriques — relativos ao aproveitamento econômico dos rejeitos da barragem B1 da Mina do Córrego do Feijão.
No relatório final da CPI, a comissão registrou denúncias de que a Green Metals — da qual Kallas era sócio — teria integrado um arranjo de intermediação na compra da New Steel pela Vale, por meio do qual “todos os envolvidos, ocultamente, receberiam por suas participações”, segundo documentos apresentados pelos parlamentares.
Operações federais na mineração
Em 2025, a PF passou a investigar um esquema que envolveria empresas de mineração e servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM), autarquia vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A pasta é comandada pelo ministro Alexandre Silveira, responsável político pela supervisão da agência — e também autor da indicação de Kallas ao Conselhão.
Em 28 de março daquele ano, a PF deflagrou a Operação Parcours contra a Empabra Mineração, apontada pelos investigadores como vinculada ao ecossistema empresarial de Kallas, por suspeita de exploração ilegal de minério na Mina Corumi, na Serra do Curral — área tombada pelo IPHAN como patrimônio histórico e cultural de Belo Horizonte. Segundo a PF, a empresa utilizava um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), instrumento destinado à restauração ambiental, como fachada para a extração contínua de minério de ferro.
De acordo com laudo da PF, a atividade clandestina abriu uma cratera de aproximadamente 70 metros de profundidade em uma área de 66 hectares, destruiu o Córrego Taquaril e contaminou o aquífero local a cerca de 80 metros de profundidade. O dano ambiental foi estimado em R$ 832 milhões, enquanto o lucro obtido irregularmente teria alcançado R$ 708 milhões. Nos relatórios da investigação, os agentes classificaram o cenário como uma “distopia ambiental”.
A operação também atingiu diretamente a própria Agência Nacional de Mineração. Dois servidores do órgão — Leandro César Ferreira de Carvalho e Claudinei Oliveira Cruz — foram afastados e investigados sob suspeita de favorecer empresas ligadas ao grupo de Kallas, facilitando a permanência da Empabra na mina e ampliando a área explorada. Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações suspeitas superiores a R$ 2 milhões e R$ 1,1 milhão em contas associadas às esposas dos servidores.
Cinco meses depois, a PF ampliou o foco das apurações. Em 17 de setembro de 2025 foi deflagrada a Operação Rejeito, considerada a maior ação já realizada contra corrupção no licenciamento ambiental da mineração em Minas Gerais. A PF cumpriu 22 mandados de prisão preventiva e 79 de busca e apreensão.
Segundo os investigadores, o esquema envolveria mais de 40 empresas e teria movimentado cerca de R$ 1,5 bilhão em propinas e vantagens indevidas relacionadas à concessão de licenças minerárias, flexibilização de condicionantes ambientais e liberação de projetos em áreas sensíveis. As investigações também apontam extração ilegal de minério em áreas protegidas como a Serra do Curral e a Serra de Botafogo, em Ouro Preto. O prejuízo potencial estimado pelas autoridades chegaria a R$ 18,2 bilhões.
O nome de Kallas apareceu nos autos da operação de duas formas. A primeira, como empresário potencialmente beneficiado por decisões administrativas favoráveis a empresas do grupo Cedro/Green Metals. A segunda surgiu após a apreensão de um organograma manuscrito que colocava o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), no topo de uma estrutura hierárquica e listava, entre outros nomes, o de Kallas em um nível subsequente. Investigadores também apuram se planos de recuperação ambiental teriam sido utilizados como fachada para exploração mineral, mecanismo semelhante ao apontado meses antes na Operação Parcours.
Por envolver menção a um senador no exercício do mandato, parte da investigação foi remetida ao Supremo Tribunal Federal. O caso passou à relatoria do ministro Dias Toffoli e tramita sob sigilo. Pacheco afirmou publicamente não comentar “um papel manuscrito de autoria incerta” e negou qualquer relação com o esquema.
Em dezembro de 2025, Toffoli determinou a substituição das prisões preventivas de quatro investigados — entre eles o ex-deputado João Alberto Paixão Lages e o delegado da PF Rodrigo de Melo Teixeira — por medidas cautelares como tornozeleira eletrônica, entrega de passaporte e recolhimento noturno.
Teixeira é delegado da Polícia Federal e ganhou projeção nacional ao chefiar, em 2018, a investigação sobre o atentado a faca contra Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora. Na gestão de Andrei Rodrigues, chegou à Diretoria de Polícia Administrativa da PF, o terceiro posto na hierarquia da corporação. Em março de 2025, foi indicado pelo Ministério de Minas e Energia, comandado por Alexandre Silveira, para assumir a diretoria de administração e finanças do Serviço Geológico do Brasil/Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM).
O inquérito permanece sob sigilo no Supremo. Kallas também nega irregularidades nas operações em que foi citado. Em entrevistas e notas públicas, afirma não ter participação direta na gestão das empresas investigadas e sustenta que atua apenas como investidor em parte dos negócios do grupo.
Apesar das investigações atingirem empresas do seu grupo e servidores da própria Agência Nacional de Mineração, o empresário continuou a circular em agendas institucionais do setor. Em setembro de 2025, o ministro Alexandre Silveira participou do Projeto Eloos, evento patrocinado pela Cedro Mineração. Na ocasião, anunciou a criação do Conselho Nacional de Política Mineral.
O Círculo de Minas
O grupo que hoje conecta Lucas Kallas e Daniel Vorcaro nasce de uma rede de relações empresariais mineiras que, desde o início dos anos 2000, cruza mineração, finanças, saúde e política. Mais do que a origem geográfica comum, esses personagens compartilham sócios, advogados, fundos de investimento, bancos e interlocutores políticos.
Um dos pontos mais claros de convergência entre Vorcaro e Kallas é a Biomm, farmacêutica de biotecnologia sediada em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, dedicada à produção de insulina e outros medicamentos biológicos. A empresa já existia antes, mas sua estrutura acionária passou por uma reorganização relevante em dezembro de 2023, quando Kallas e, dias depois, o ecossistema do Banco Master ingressaram como acionistas relevantes. Kallas participa por meio da Cedro Participações, com aproximadamente 8%.
Vorcaro aparece como principal acionista por meio do Cartago Fundo de Investimento, ligado ao ecossistema do Banco Master, com cerca de 26% do capital. O Cartago é o principal elo entre a Biomm e o colapso do Banco Master. O fundo ingressou na companhia no início de 2024, então sob o nome WNT Capital — gestora na qual Vorcaro figurava entre os principais investidores — e foi rebatizado como Cartago em meados de julho de 2025, poucos meses antes da intervenção.
Com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, o Cartago passou a integrar o conjunto de ativos a ser alienado pelo liquidante para pagamento de credores — mais de 1,6 milhão de investidores em CDBs. A participação na Biomm, estimada entre R$ 250 milhões e R$ 315 milhões, deverá ser vendida a terceiros, transferindo a esses investidores uma fatia relevante da companhia, que mantém contratos bilionários com o governo federal.
A Biomm buscou afastar riscos reputacionais. Em fato relevante enviado à CVM, afirmou que a liquidação do Master “não alcança seus negócios” e que o Cartago não exercia controle nem mantinha acordo de voto na empresa. A afirmação é tecnicamente correta, mas não altera o quadro: o maior acionista individual da Biomm é, neste momento, a massa em liquidação de um banco investigado por fraude bilionária.
O BTG Pactual, de André Esteves — que detém cerca de 9,7% da Biomm por meio do LAB Fundo de Investimento Financeiro em Ações, gerido pela BTG Pactual Gestão e Consultoria de Investimentos — foi citado, em dezembro de 2025, como possível comprador da participação. O banco negou interesse.
Outro nome relevante na estrutura é Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro no governo Lula e figura tradicional do empresariado mineiro, que também detém cerca de 8% da companhia. Walfrido já figurava como sócio desde 2022, antes da reorganização societária que trouxe Vorcaro e Kallas para o centro da estrutura acionária.
A estrutura também inclui capital público. O BNDESPar, braço de participações do BNDES, possui cerca de 5% da Biomm. Parcerias de desenvolvimento produtivo com o Ministério da Saúde existiam desde governos anteriores, mas por anos permaneceram praticamente sem execução financeira relevante. Os contratos de maior valor começaram a aparecer após a mudança na estrutura acionária da companhia. Apenas em 2025, a Biomm firmou cerca de R$ 303,6 milhões em contratos para fornecimento de insulina ao SUS — R$ 142 milhões em junho, R$ 131 milhões em novembro e R$ 30,6 milhões em novos acordos — dentro de parcerias com instituições públicas como Fiocruz e Funed.
A governança da empresa também passou a incorporar figuras próximas ao governo federal. Em abril de 2024, Márcio Pochmann, então presidente do IBGE, passou a integrar o conselho de administração da Biomm. A nomeação ocorreu cerca de dois meses depois de fundos ligados ao Banco Master se tornarem o maior bloco acionário da companhia.
No mesmo mês, o presidente Lula foi pessoalmente a Nova Lima inaugurar a nova fábrica de insulina da empresa, apresentada pelo governo como parte da estratégia de fortalecer a produção nacional de medicamentos. Segundo Mares Guia, em discurso na cerimônia, foi ele quem articulou a presença presidencial: dias antes, ele e Kallas foram a Brasília, visitaram ministérios e pediram ao chefe do gabinete pessoal de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como "Marcola", alguns minutos com o presidente — que os recebeu imediatamente. Oito meses depois, em dezembro de 2024, Vorcaro usaria o mesmo caminho: mensagens apreendidas pela PF indicam que a reunião com Lula, descrita por ele à então namorada como “ótima”, foi articulada por Guido Mantega — consultor do Master — também por meio de Marcola.
O evento em Nova Lima reuniu parte expressiva da cúpula federal: a ministra da Saúde Nísia Trindade, o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira, o ministro da Fazenda Fernando Haddad, o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha, a ministra de Ciência e Tecnologia Luciana Santos e a primeira-dama Janja Lula da Silva.
Dez meses depois, em 21 de fevereiro de 2025, Lula voltou a dividir o palco com Kallas, desta vez na cerimônia de assinatura do contrato de concessão do terminal ITG-02, no Porto de Itaguaí (RJ). A Cedro Participações havia vencido o leilão na B3 em 18 de dezembro de 2024, com lance único de R$ 1 milhão — sem concorrentes — e compromisso de investir R$ 3,58 bilhões na construção de um terminal de exportação de minério de ferro, com prazo de 35 anos.
O terminal ocupará uma área estratégica entre as operações da Vale e da CSN, com acesso direto à malha da MRS, por onde escoa o minério de Mariana e Nova Lima. O edital excluiu os grandes players do setor, restringindo a disputa a operadores capazes de estruturar um projeto bilionário e integrar mina e logística. A Cedro foi a única a atender a esse perfil — e levou o ativo sozinha.
No discurso de inauguração, Kallas recorreu ao vocabulário associado às agendas de sustentabilidade e ESG: “Essa nova rota aumentará a competitividade da mineração brasileira no cenário global e, ao mesmo tempo, trará benefícios significativos para o meio ambiente. Com ela, retiraremos cinco mil carretas por dia das estradas e reduziremos em mais de 40 mil toneladas as emissões de CO₂.”
Lula, no mesmo evento, recordou o encontro que Walfrido havia articulado: "Eu aprendi com a minha mãe que, quando a gente quiser saber se uma pessoa é honesta, a gente não tem que prestar atenção na boca — tem que prestar atenção nos olhos, porque é pelos olhos que as pessoas dizem a verdade." Sobre Kallas, disse: "Desde que foi levado na minha sala, eu descobri na hora que estava conversando com um empresário sério, com uma visão nacional muito interessante, com um empresário que, antes de tudo, ama o Brasil, acredita no Brasil e torce pelo crescimento do Brasil." Acrescentou: "Tem empresário que vai no governo, conversa, pede as coisas e ainda sai falando mal do governo."
Um mês após a cerimônia, a PF deflagrou a Operação Parcours. No centro da investigação está a suspeita de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, atribuída a empresas ligadas ao grupo de Kallas.
Além da Biomm, outros pontos de contato entre integrantes desse círculo aparecem no setor de saúde privada. A Oncoclínicas, rede fundada pelo médico mineiro Bruno Ferrari, recebeu grandes aportes financeiros do Banco Master entre 2022 e 2024, que chegaram a cerca de R$ 1,5 bilhão, parte via fundos estruturados e parte por meio de CDBs adquiridos pela própria empresa.
Ao mesmo tempo, a Cedro, de Kallas, firmou contratos built-to-suit para construir centros oncológicos em cidades como São Paulo, Goiânia e Belo Horizonte, alugando posteriormente as estruturas para a própria rede Oncoclínicas. Esse arranjo aprofundou uma relação que já havia sido cultivada institucionalmente. No Fórum Esfera de junho de 2024, Lucas Kallas e Bruno Ferrari participaram do mesmo evento: Ferrari no painel de saúde, Kallas no painel de infraestrutura ao lado dos ministros de Portos e Transportes.
Naquele mesmo período, a Latache Capital — gestora de special situations da qual Kallas é sócio ao lado do CEO Renato Azevedo — iniciava a aquisição de participação na Oncoclínicas, chegando a 14% do capital em março de 2025, com intenção declarada de buscar o controle. A Latache Capital apareceu como intermediária nas negociações envolvendo ativos problemáticos do Banco Master, incluindo tratativas para eventual venda de carteiras de precatórios à J&F, com Joesley Batista como comprador em potencial e Azevedo na condição de sócio minoritário da operação.
Em paralelo, a movimentação das ações da Biomm passou a chamar atenção no mercado. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu quatro processos administrativos para investigar negociações consideradas atípicas envolvendo papéis da companhia. Entre abril de 2024 e novembro de 2025, integrantes do conselho e da administração registraram 1.780 operações de venda de ações, volume 231% superior ao observado em todo o ano de 2023.
O minerador ESG
Lucas Prado Kallas, 46 anos, cultiva publicamente a imagem de um “novo minerador” — moderno, alinhado às agendas globais de sustentabilidade e ao vocabulário do ESG. Em entrevistas, apresenta-se como empresário que teria integrado sustentabilidade e impacto social à mineração.
A Green Metals, empresa que Kallas ajudou a estruturar no início dos anos 2010, ocupa papel central nessa narrativa. No material institucional, a companhia é apresentada como solução para passivos ambientais da mineração, dedicada à recuperação de áreas degradadas, ao tratamento de rejeitos a seco e ao aproveitamento econômico de depósitos abandonados — o que a própria empresa descreve como a “segunda safra da mineração”. A marca reforça essa identidade: a Green Metals se define como mineradora voltada a “estratégias sustentáveis que impactam positivamente a sociedade e o meio ambiente”, com foco em fechamento de mina e recuperação de áreas embargadas.
Na última semana de fevereiro, uma mesma peça elogiosa sobre Kallas passou a circular em série em diversos veículos de imprensa, como Estadão e Metrópoles, além de portais do interior e perfis especializados em mineração e sustentabilidade. Nos textos — com trechos idênticos entre si — o empresário aparece como líder “comprometido com a Agenda 2030”, responsável por implantar na holding um suposto “DNA sustentável” que combinaria desempenho econômico, responsabilidade ambiental e impacto social.
Na maioria dos casos, o material foi publicado sem identificação clara de conteúdo publicitário. O Metrópoles, por exemplo, veiculou o artigo na editoria de Brasil como se fosse reportagem do próprio veículo. O Estadão foi o único a creditar o conteúdo à Agência Minera Brasil, apresentada como consultoria de comunicação do setor mineral. Registros públicos indicam que seu controlador tem trajetória profissional ligada à cadeia da mineração e à própria Vale.



Nos publieditoriais, Kallas afirma que o primeiro projeto da Cedro foi justamente o beneficiamento de rejeitos de minério já estocados, utilizando tecnologia capaz de eliminar o uso de barragens. O objetivo, segundo ele, seria posicionar o grupo como fornecedor de pellet feed para redução direta — o chamado “minério verde”, que poderia reduzir as emissões de carbono nas siderúrgicas. A promessa é que a combinação de empilhamento a seco, reaproveitamento de rejeitos e fornecimento de minério de alta qualidade permitiria descarbonizar a cadeia do aço e alinhar a operação à Agenda 2030 da ONU.
Entretanto, a agência de rating ESG contratada pela própria Cedro contradiz o discurso. Em setembro de 2024, a Sustainable Fitch avaliou a Extrativa Mineral S.A., operadora da mina de Nova Lima, a pedido do grupo — e o resultado foi publicado no site da empresa, com rating “3” numa escala em que 1 é o melhor e 5 é o pior, estratégia de sustentabilidade “em fase inicial”, impacto ambiental “significativo”, emissões de carbono em alta e consumo de energia elétrica com aumento de 45% entre 2021 e 2023.
A Fitch também registrou que a Extrativa "não publica demonstrações financeiras, ainda que seja uma obrigação legal", e que a empresa operou sob Termo de Ajustamento de Conduta de 2020 a abril de 2024 — após ser embargada por supressão vegetal ilegal logo depois de ser adquirida pelo grupo. Em fevereiro de 2026, já com a Operação Parcours em curso, a Cedro anunciou que "iniciava" o processo de certificação ISO 14001, com previsão de conclusão para o final do ano.
A arquitetura empresarial
De seu avô, imigrante libanês que se estabeleceu em Passos, no sul de Minas Gerais, Kallas diz ter herdado seu primeiro terreno para iniciar seus primeiros negócios no início dos anos 2000 — episódio que ele menciona como marco de sua trajetória empreendedora e como prova de uma “vocação familiar” ligada à terra. Do pai, José de Melo Kallas, engenheiro civil, herdou a proximidade com o setor de obras públicas e contratos com o Estado. Pai e filho chegaram a ser presos juntos na Operação João de Barro, deflagrada pela PF em 2008.
No mesmo período em que consolidava seus primeiros negócios na mineração, empresas do grupo também passaram a aparecer no financiamento eleitoral. Em 2014, a Phoenix Mineração e Comércio Ltda-ME, veículo por meio do qual Kallas e seus sócios operavam ativos na Serra do Curral, registrou 14 doações eleitorais que somaram R$ 476,5 mil, distribuídas a diretórios e candidatos de diferentes partidos. Entre os beneficiários estava João Alberto Paixão Lages, então candidato a deputado estadual pelo PMDB mineiro, que recebeu R$ 26 mil da empresa.
Anos depois, Paixão Lages apareceria em organograma apreendido pela PF na Operação Rejeito como elo político entre o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o próprio Kallas em um suposto esquema de corrupção no setor mineral. Registros do TSE mostram que, nas eleições de 2022, o ex-deputado doou R$ 350 mil a campanhas em Minas Gerais. Entre os beneficiários está Alexandre Silveira, hoje ministro de Minas e Energia, que recebeu R$ 100 mil para sua campanha ao Senado. Outros R$ 100 mil foram doados ao mesmo candidato por Bruna Antunes de Oliveira Lages, filha do ex-deputado, que naquele ano registrou R$ 620 mil em doações eleitorais no estado. Ao todo, pai e filha destinaram R$ 200 mil à campanha de Silveira.
A família de Kallas também desempenha papel central na sustentação política do grupo. Francine Prado Kallas, irmã mais velha de Lucas, integra o conselho da Cedro Participações e passou a concentrar as doações eleitorais associadas à família após a proibição de contribuições empresariais. Entre 2018 e 2024, registrou cerca de R$ 2,6 milhões em doações políticas no Tribunal Superior Eleitoral. Em 2022, destinou R$ 990 mil ao diretório nacional do PSD e R$ 400 mil ao diretório mineiro do PP. Nas eleições municipais de 2024, fez nova contribuição de grande porte: R$ 1 milhão ao diretório paulista do PSD, presidido por Gilberto Kassab. Nos registros públicos do TSE, Lucas Kallas não aparece como doador eleitoral; as contribuições associadas à família são formalmente registradas em nome da irmã.
No plano empresarial, a origem da atuação de Kallas na mineração aparece ligada à Companhia Mineradora Ferro Phoenix S.A., posteriormente Phoenix Mineração e Comércio Ltda-ME. Ele se torna sócio da empresa no início dos anos 2010 ao lado do advogado Luis Fernando Franceschini da Rosa e do empresário Bruno Luciano Henriques. A Phoenix é o embrião da estrutura que mais tarde passaria a operar sob a marca Green Metals Soluções Ambientais — a plataforma empresarial construída em torno da promessa de transformar rejeitos em ativo econômico e substituir barragens por processos de beneficiamento a seco.
Rebatizada e reorganizada em uma cadeia de holdings, a antiga Phoenix passa a integrar projetos como a mina Granja Corumi, na Serra do Curral, além de plantas de beneficiamento em cidades como Nova Lima, Mariana e Brumadinho. É desse núcleo empresarial — Phoenix/Green Metals — que surge a narrativa de mineração de baixo impacto ambiental baseada no reaproveitamento de rejeitos.
O que dizem os envolvidos
Procurada pela reportagem, a Cedro enviou nota em que afirmou que Paixão Lages não integra seu quadro atual de colaboradores, diz figurar como vítima no processo judicial contra a Flapa e nega relação com as operações policiais. A empresa afirma que Kallas se desligou formalmente da estrutura ligada à Empabra em maio de 2018 e que ingressou com medidas legais para retirar seu nome da Operação Parcours.
Sobre a aeronave PP-COA e os voos à Venezuela, a nota não confirmou nem negou o voo de 28 de janeiro de 2025 identificado pela reportagem em registros públicos de rastreamento aéreo. A Cedro afirmou ainda que “não atua com reaproveitamento de rejeitos ou projetos de recuperação ambiental”. Entretanto, a afirmação contrasta com declaração pública do próprio Lucas Kallas à Agência Minera Brasil, em março de 2026, segundo a qual “o primeiro projeto da Cedro foi justamente o beneficiamento de rejeitos de minério já estocados”.
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