Em 14 de outubro, o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, voltou ao ar depois que a campanha de Lula o registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, havia considerado a ausência do endereço motivo suficiente para suspender seu funcionamento.
A ficha atualizada de Lula revela um registro mais amplo da rede digital que A Investigação vinha acompanhando antes do primeiro turno. Agora aparecem os perfis Evangélicos com Lula e o site e as contas do Pode Espalhar, que nossa apuração havia identificado em atividade eleitoral fora da relação apresentada ao TSE.
A lista também inclui endereços do Lulaverso e dos Comitês Populares, apontados em reportagem anterior. Os grupos de WhatsApp “Espalhe a Verdade”, porém, continuam ausentes.
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Canais que a campanha passou a declarar
Em setembro, revelamos que Evangélicos com Lula pedia votos pela reeleição no Facebook e no Instagram sem constar do registro de 2026. A página se apresentava como iniciativa de apoiadores religiosos, mas a própria defesa de Lula havia informado ao TSE, em 2022, que os perfis da marca eram “redes sociais pertencentes ao candidato”. Instagram, Facebook, TikTok e X ligados a Evangélicos com Lula constam agora da ficha. A atualização confirma o vínculo formal apontado pela reportagem.
A operação religiosa ia além de uma página. Nossa apuração documentou publicações que associavam o voto em Lula a ensinamentos bíblicos, programas sociais e músicas gospel. Um formulário da iniciativa solicitava até o link de grupos de WhatsApp, o nome do administrador e a igreja frequentada. Em 2026, o PT anunciou a meta de formar mais de mil comitês evangélicos para atuar pela reeleição.
O Pode Espalhar foi lançado em julho de 2025 pelo PT e pela Fundação Perseu Abramo como uma plataforma para reunir influenciadores, cadastrar militantes e distribuir conteúdo pronto para compartilhamento. Seu domínio foi registrado pela Embaúba Produções, empresa de Brunna Rosa Alfaia, ex-responsável pelas redes da Secom e contratada pela campanha de Lula em 2022.
Em agosto, registramos que o site, ainda fora da ficha eleitoral, trazia como missão conquistar votos para reeleger Lula. O domínio e perfis do Pode Espalhar em diferentes redes passaram a constar da relação atual.
Os grupos que permanecem fora
O “Espalhe a Verdade” é a continuação dos “Caçadores de Fake News”, investigados por A Investigação desde a campanha de 2022. Os grupos foram divulgados em canais ligados a Lula e voltaram a ser mobilizados em 2024, durante as enchentes no Rio Grande do Sul.
Na ocasião, o então ministro Paulo Pimenta entrou em um deles e pediu a divulgação de conteúdo favorável ao governo. Rebatizada em 2026, a rede preservou administradores e grupos numerados; a sequência identificada chegou pelo menos ao número 189.
As mensagens mostram sua função eleitoral. Em agosto, encontramos no grupo “Espalhe a Verdade 01” um card contra Flávio Bolsonaro acompanhado da ordem para compartilhá-lo com cinco contatos. Em setembro, reconstituímos o caminho de outra ação: um administrador enviou o link de uma publicação do Instagram Brasil com Lula, determinou o comentário a ser feito contra Flávio e pediu que a mensagem fosse repassada. A frase apareceu repetida nos comentários do perfil, que Lula havia declarado oficialmente ao TSE.
Dos 50 endereços na ficha atual, dois são canais de WhatsApp: o canal oficial de Lula e o “Exército do Lula”, registrado após a decisão sobre Janones. Nenhum é um link de convite para os grupos “Espalhe a Verdade”. Declarar o site Pode Espalhar e suas contas nas redes sociais não identifica os endereços dos grupos que recebem e executam as orientações de compartilhamento.
Ao decidir o caso Janones, Nunes Marques afirmou que informar os endereços usados para difundir propaganda permite à Justiça Eleitoral identificar e fiscalizar os meios da campanha. A ficha atual confirma a apuração de A Investigação sobre os canais religiosos e o Pode Espalhar. Falta ao TSE examinar os grupos “Espalhe a Verdade” à luz do mesmo critério e esclarecer quem administra essa parte da rede, produz suas ordens e fornece o material distribuído aos militantes.
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