Nesta segunda-feira, 21, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia tirou do ar o MasterWhats, site que organizava em uma interface semelhante à do WhatsApp mensagens e documentos públicos ligados ao caso Banco Master e a outros episódios políticos. A ordem foi obtida pela coligação Mais Bahia, Mais Brasil, do senador Jaques Wagner (PT-BA), depois que ela afirmou que a página fabricava uma conversa inexistente entre o candidato e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A conversa nunca existiu no site. A página dedicada a Wagner reunia 51 trechos de telefonemas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interceptados pela Polícia Federal durante a Lava Jato e divulgados pela Justiça em 2016. O MasterWhats reproduzia o conteúdo em balões semelhantes aos do aplicativo, mas não apresentava mensagens de WhatsApp nem atribuía aquelas falas a Vorcaro.
A distinção era explícita para o usuário. O site tinha um seletor para alternar entre os perfis de Vorcaro, Lula e Jair Bolsonaro. Ao escolher Lula, a lista de contatos passava a exibir Dilma Rousseff, Roberto Teixeira, Lurian Lula da Silva, Lindbergh Farias e Jaques Wagner. A fotografia de Lula aparecia no canto inferior esquerdo e seu nome ficava marcado no menu “Trocar usuário”. Não havia conversa direta entre Wagner e Vorcaro.
Ainda assim, a ação eleitoral afirmou que a plataforma “veicula conteúdo fabricado que simula conversas inexistentes de WhatsApp entre o candidato Jaques Wagner e Daniel Vorcaro”. O juiz Isaías Vinícius de Castro Simões acolheu a descrição. Na decisão do processo 0603616-76.2026.6.05.0000, escreveu que a documentação mostrava “supostas conversas entre o candidato Jaques Wagner e Daniel Vorcaro” e determinou a retirada do conteúdo.
O próprio material citado na decisão deveria permitir a conferência. O relator mencionou uma captura de tela e uma “materialização” feita pela equipe técnica do tribunal. Bastava acessar a página e usar o seletor visível. Ou o site não foi efetivamente navegado, ou essa informação foi ignorada.
A alegação de fabricação também não se sustenta. A interface era uma reconstrução visual, mas as falas eram reais. A Folha de S.Paulo publicou os áudios e as transcrições integrais quando a Justiça Federal tornou públicas as interceptações. O MasterWhats apenas dividiu os telefonemas em balões.
Lucas Matheus Alves da Silva, criador da plataforma, disse a Investigação que sua identidade nunca foi escondida e que ele não recebeu pedido prévio de retirada, intimação ou oportunidade de defesa. “Se eles pedissem para retirar o site do ar e houvesse embasamento, eu iria retirar tranquilamente”, afirmou. Ele soube da ordem quando os serviços deixaram de funcionar.
O bloqueio atingiu também o RecomendeMe, plataforma cultural de Lucas, sem relação com o Banco Master. Ele afirma ter perdido acesso ao e-mail usado nas negociações do projeto e mais de uma parceria. “Isso me prejudicou demais”, disse. “Já perdi mais de uma parceria por causa desse incidente.”
A tentativa de tirar do ar uma conversa que nunca existiu levou a atenção para os vínculos que estão documentados. “E agora o candidato Jaques Wagner vai conhecer a força do Efeito Streisand”, escreveu o especialista em infraestrutura da internet Thiago Ayub. O site não atribuía a Wagner mensagens com Vorcaro, mas relatórios policiais e decisões judiciais registram 74 ligações do senador com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banqueiro, além de viagens, presentes, negócios imobiliários, pagamentos a empresa ligada à família e articulações políticas em favor de pessoas contratadas pelo banco.
As conexões também alcançam o PT baiano. O CredCesta, produto que deu escala ao Banco Master, nasceu da folha dos servidores estaduais sob governos petistas. Wagner participou da condução política da privatização que transferiu a operação a um grupo ligado a Augusto Lima. Rui Costa ampliou a margem consignável e restringiu a portabilidade dos empréstimos. Foi essa rede — e não uma conversa inventada pelo MasterWhats — que a ordem eleitoral recolocou em evidência novamente.
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O que Lula e Wagner discutiam
Os telefonemas foram gravados entre o fim de fevereiro e o início de março de 2016, quando Lula estava sob pressão da Lava Jato e o governo Dilma Rousseff tentava impedir o avanço da crise política. O MasterWhats organizou as falas em cinco blocos cronológicos.
Na primeira conversa, Lula tentava acertar um encontro de Wagner com uma pessoa em Brasília. Ao ouvir que a reunião seria na segunda-feira à noite, respondeu: “Se eu não estiver preso, eu vou”. No dia seguinte, disse que estava com Paulo Teixeira e Cristiano e que os dois precisavam falar com Wagner sobre um assunto urgente. Um dos participantes pediu o telefone fixo do hotel em que o petista estava hospedado na Bahia.




Na ligação mais longa, Lula e Wagner discutiram a resistência do PT a uma mudança nas regras de exploração do pré-sal. Lula afirmou que Dilma sabia que eles eram “o Exército dela”, comparou a relação com o governo à comida feita pela mãe e relatou ter pressionado Renan Calheiros para que o PMDB não apoiasse a proposta de José Serra. Wagner respondeu que havia defendido Dilma numa reunião do partido.
Em outra chamada, Lula desistiu de viajar a Brasília para que sua presença não parecesse uma comemoração pela saída de José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça. Wagner relatou que Dilma tivera a mesma preocupação. Eles também conversaram sobre a CUT e sobre uma reunião pessoal com a então presidente.
O último bloco ocorreu no dia da condução coercitiva de Lula. Depois de uma longa conversa entre Lula e Dilma, Wagner entrou na ligação. Lula pediu que ele falasse com a presidente sobre um pedido que estava com Rosa Weber no Supremo e afirmou que a operação buscava constranger a Corte. “Se homem não tem saco, quem sabe uma mulher corajosa possa fazer o que os homens não fizeram”, disse.
O conteúdo pode ser politicamente constrangedor e voltar a expor as articulações do PT durante a Lava Jato. Mas constrangimento não converte documento público em falsificação. A origem das falas estava disponível na imprensa, nos áudios divulgados à época e na própria organização temática do site.
O método do Jmail aplicado à política brasileira
O MasterWhats adotou uma solução semelhante à do Jmail, projeto criado para facilitar a consulta aos documentos de Jeffrey Epstein. Depois que milhares de páginas foram divulgadas nos Estados Unidos, os criadores do Jmail reconstruíram uma caixa de entrada semelhante ao Gmail e permitiram que o público navegasse pelos e-mails numa interface familiar. A WIRED descreveu a ferramenta como uma forma mais legível de explorar um acervo público que antes estava disperso em arquivos extensos.
Lucas aplicou a mesma lógica ao material brasileiro. Em vez de exigir que o leitor percorresse relatórios policiais, PDFs, reportagens e transcrições, organizou as conversas numa réplica visual do WhatsApp. “O MasterWhats era uma ferramenta de transparência”, disse a A Investigação. “Não tomava nenhum dos lados e incluía mensagens de Flávio Bolsonaro.”
O nome vinha da primeira base incluída, extraída do caso Master, mas o projeto foi ampliado para reunir outros conjuntos de documentos. Vorcaro reunia o material apreendido em seu celular e divulgado no inquérito. Lula levava às interceptações da Lava Jato, entre elas as conversas com Wagner. Bolsonaro aparecia em outro conjunto. A ferramenta não escondia essa separação: ela era parte central da navegação.
O formato podia ser criticado por aproximar materiais de origens diferentes sob a mesma identidade visual. O que não se podia fazer era afirmar que o site inventara uma conversa Wagner–Vorcaro. A reconstrução estava na forma, não no conteúdo; os interlocutores eram identificados pelo seletor.
O bloqueio atingiu outro projeto
Lucas soube que havia uma ordem judicial quando seus serviços deixaram de funcionar. Segundo ele, não recebeu e-mail, intimação ou oportunidade de apresentar defesa antes da suspensão. O MasterWhats operava num subdomínio do RecomendeMe; a execução da ordem congelou o domínio e atingiu também a plataforma cultural.
O RecomendeMe é uma rede de recomendações de filmes, séries, músicas, livros e outros produtos culturais. Seu sistema de organização de conteúdo foi apresentado por Lucas como a única tecnologia brasileira selecionada para um relatório do programa AI for Good, da União Internacional de Telecomunicações, agência especializada das Nações Unidas. O documento também reunia iniciativas de empresas e universidades como Microsoft, OpenAI, Anthropic, Huawei, Alibaba e Stanford.
O projeto mantinha parcerias com iniciativas culturais de várias regiões do país e usava o e-mail do próprio domínio para contatos comerciais. Com o bloqueio, Lucas afirma que deixou de receber mensagens, perdeu acesso a conversas e reuniões e não conseguiu falar com parceiros que só possuíam aquele endereço.
“Isso me prejudicou demais”, disse. “Já perdi mais de uma parceria por causa desse incidente.” Segundo ele, potenciais parceiros informaram que desistiriam das tratativas depois da repercussão. Mesmo uma eventual desistência da ação não repararia automaticamente as parcerias perdidas nem o período em que o serviço ficou inacessível.
O dano não se limitou à indisponibilidade técnica. Lucas diz que o RecomendeMe passou a ser associado a uma disputa partidária da qual nunca fez parte. Usuários classificaram o MasterWhats como uma ferramenta de direita ou conservadora, embora a plataforma reunisse materiais envolvendo Vorcaro, Lula, Bolsonaro e personagens de campos políticos opostos.
“Eles acabaram fazendo com que a gente levantasse uma bandeira sem a gente pedir”, afirmou. Para Lucas, o problema mais grave não foi perder o experimento de transparência, mas ver a ordem eleitoral reverberar sobre o projeto que concentrava seu trabalho, seus contatos e suas parcerias.
Bastava um clique para desmentir
Thiago Ayub denunciou que a coligação descreveu o conteúdo de forma incorreta e que o TRE-BA acolheu a versão sem conferir o site. “Trata-se de um fato verificável por qualquer juiz que acessasse o site e visse as mensagens”, escreveu.
Ayub destacou a contradição interna da decisão. O próprio relator afirmou que a Justiça Eleitoral deve observar a intervenção mínima, preservar a liberdade de comunicação e evitar a censura prévia. Logo depois, adotou como fato uma conversa que não existia na página e determinou uma medida capaz de retirar do ar todo o domínio.
“Não houve intervenção mínima e sim a máxima”, afirmou Ayub. Para ele, o tribunal “mirou num alvo descrito pela coligação do candidato e acertou outro”. A ordem não apenas suprimiu informações públicas: impediu que o próprio erro usado para justificar a censura fosse demonstrado com capturas de tela do site bloqueado.
O caso se encaixa numa denúncia mais ampla feita por Ayub há três anos. Ele acompanha ordens sigilosas de bloqueio de domínios, endereços de IP e perfis executadas sem que o responsável seja previamente ouvido ou consiga identificar a autoridade que determinou a medida. Em estudos e palestras, mostrou como bloqueios automatizados podem derrubar serviços alheios ao alvo e atingir milhares de páginas hospedadas na mesma infraestrutura.
Ayub também documentou episódios em que endereços usados pela API do GitHub e por serviços da Cloudflare ficaram inacessíveis no Brasil durante ações de combate à pirataria. Segundo ele, a combinação entre sigilo, bloqueio em massa e ausência de contraditório permite que erros técnicos e jurídicos permaneçam invisíveis para o público.
No MasterWhats, o erro podia ser desfeito pelo próprio seletor do site. Depois do bloqueio, a tentativa de esconder as conversas produziu o efeito inverso. “E agora o candidato Jaques Wagner vai conhecer a força do Efeito Streisand”, escreveu Ayub.
As conexões de Wagner com o Master
A conversa direta Wagner–Vorcaro não estava no MasterWhats. Isso não significa que a associação entre o senador e o grupo tenha sido inventada. A decisão do ministro André Mendonça na Petição 16.210 reproduz a investigação da PF sobre uma relação “antiga, próxima e de confiança” entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, o Guga, ex-sócio e ex-presidente do Banco Master.
A PF identificou 74 ligações de voz pelo WhatsApp entre os dois ao longo de 18 meses, somando cinco horas e meia. A primeira ocorreu em 17 de novembro de 2023, onze dias depois do lançamento do Instituto Terra Firme, organização fundada por Lima na Bahia.
Documentos apreendidos indicam que Lima organizava viagens, ingressos e encontros para Wagner e sua família. A investigação registra o uso de aeronaves, estadias na Ilha da Paixão e ingressos de cerca de R$ 63 mil para um show de Taylor Swift. Em outra troca, Vorcaro orientou que um avião que transportaria o senador utilizasse um hangar discreto e deixasse o local rapidamente.
Outro eixo envolve um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões. Segundo a PF, o imóvel teria sido destinado a Wagner por meio de pessoas e estruturas ligadas a Lima. O senador nega ter recebido vantagem indevida.
Em junho de 2026, a Operação Compliance Zero cumpriu mandado de busca em endereços ligados a Wagner. A PF encontrou US$ 55 mil e 33 mil euros, cerca de R$ 470 mil. O senador afirma que o dinheiro tem origem legal e deixou a liderança do governo no Senado depois da operação.
No mesmo inquérito, André Mendonça suspendeu a transferência de um terreno de 51 mil metros quadrados vendido por Wagner por R$ 15 milhões e de um apartamento no Corredor da Vitória negociado por R$ 10 milhões. As duas operações somariam R$ 25 milhões, ante R$ 3,3 milhões em bens declarados pelo senador em 2018. A medida preservou os imóveis durante a investigação e não representa confisco definitivo.
A festa que reuniu o entorno do Master
A festa de lançamento do Instituto Terra Firme reuniu, em novembro de 2023, integrantes do governo petista, nomes da oposição e executivos que depois apareceriam na operação do Banco Master nos Estados Unidos. O governador Jerônimo Rodrigues participou do evento e anunciou uma parceria com a entidade. A Assembleia Legislativa da Bahia já havia concedido a Augusto Lima a principal honraria da Casa.
Entre os convidados estava Eduardo Mendonça Sodré Martins, secretário do Meio Ambiente da Bahia e enteado de Wagner. Sodré compareceu vestindo o uniforme da secretaria. Seu pai, o publicitário Guilherme Sodré Martins, o “Tio Guiga”, teria apresentado Wagner a Augusto Lima, segundo a PF. Mensagens apreendidas também mencionam Lucas Reis, chefe de gabinete do senador, na organização de encontros e na transmissão de contatos.
A rede chegava às empresas da família. A BN Financeira, gerida por Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré, recebeu cerca de R$ 11 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Em outubro de 2025, recebeu outros R$ 3,5 milhões da PKL One, empresa ligada ao CredCesta e administrada por uma prima de Augusto Lima.
Segundo a PF, o último repasse foi precedido por cobranças de Eduardo Sodré a Lima. Em setembro de 2025, o secretário teria cobrado valores para quitar parcelas do apartamento investigado. A corporação descreveu a BN Financeira como “pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner”. Outra empresa de Bonnie compartilhava endereço, telefone, e-mail e contador com 19 pessoas jurídicas investigadas no caso Master.
A PF também rastreou R$ 3,5 milhões enviados pela empresa que operava o CredCesta à BN Financeira enquanto o governo baiano autorizava, por meio da Cetrel, uma intervenção de 35 anos num rio sob disputa ambiental. A lista de presentes de Augusto Lima reforça a proximidade política: incluía Jerônimo Rodrigues e Rui Costa, além de dirigentes da oposição. A festa tornou pública uma rede que ligava o ex-sócio de Vorcaro ao governo baiano e ao entorno familiar de Wagner.
Wagner, o intermediário político
As conexões não se limitaram à esfera pessoal. Como A Investigação mostrou na radiografia das digitais do PT, Wagner confirmou ter indicado Ricardo Lewandowski ao Banco Master depois que o ministro se aposentou do STF. O escritório da família foi contratado por R$ 250 mil mensais e recebeu aproximadamente R$ 6,5 milhões.
O contrato permaneceu ativo por 21 meses depois de Lewandowski assumir o Ministério da Justiça, pasta responsável pela Polícia Federal. O ministro afirma que se afastou da banca e suspendeu sua inscrição na OAB ao entrar no governo.
A PF também atribui a Wagner a articulação da contratação de Guido Mantega como consultor do Master por cerca de R$ 1 milhão mensais. O ex-ministro teria a missão de facilitar a venda do banco ao BRB e abrir um canal com Lula. Wagner nega ter participado da contratação.
O canal foi aberto. Em dezembro de 2024, Vorcaro participou de uma reunião fora da agenda oficial com Lula no Palácio do Planalto. Estavam presentes Mantega, Rui Costa, Alexandre Silveira, Gabriel Galípolo e Augusto Lima. Depois do encontro, o banqueiro escreveu à então namorada que a reunião havia sido “ótima”.
Os registros do Gabinete de Segurança Institucional mostram outro encontro relevante. Em abril de 2024, Vorcaro entrou no Planalto às 17h29. Wagner passou pela mesma portaria 22 minutos depois. Nenhum dos dois compromissos apareceu na agenda oficial. O senador afirma ter encontrado Vorcaro apenas duas vezes e sustenta que não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros. Seu principal elo pessoal com o Master, porém, era Augusto Lima.
O embrião do Master no PT baiano
As ligações entre Wagner e o Master antecedem a transformação do Banco Máxima em Banco Master. Elas passam pela Empresa Baiana de Alimentos, a Ebal, e pelo CredCesta, programa de crédito vinculado à folha dos servidores estaduais.
Rui Costa iniciou a privatização da Ebal em 2015. Depois de dois leilões fracassados, a empresa foi vendida em 2018 por R$ 15 milhões à NGV Empreendimentos e Participações, criada naquele ano com capital social de R$ 500. Wagner era secretário de Desenvolvimento Econômico e participou da condução política do processo. Ele próprio explicou posteriormente que o interesse de Augusto Lima estava no cartão usado por servidores e aposentados, com desconto direto na folha.
Duas semanas depois do leilão, Rui Costa ampliou a margem consignável ligada ao cartão. Em 2019, o governo passou a distribuí-lo automaticamente a servidores ativos e inativos. Em 2022, outro decreto proibiu a portabilidade dos empréstimos para instituições concorrentes, dificultando a busca por juros menores.
Augusto Lima levou a carteira do CredCesta ao Banco Master em 2020 e se tornou sócio de Vorcaro. O produto chegou a representar praticamente toda a carteira de crédito ao consumidor da instituição. Foi essa base de servidores, formada sob regras do governo baiano, que deu escala ao banco.
Entre 2023 e fevereiro de 2026, o governo da Bahia realizou mais de 200 pagamentos ao Master, num total próximo de R$ 50 milhões. Quase todo o valor se concentrou em 2024, quando a situação do banco já provocava preocupação no mercado e no Banco Central. O governo afirma que os pagamentos decorreram da antecipação de precatórios do Fundef escolhida livremente pelos servidores.
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