Semanas antes das eleições, entre 20 e 27 de setembro, missas e cultos em todo o Brasil foram monitorados. A More in Common Brasil, braço de uma rede internacional apoiada por fundações de bilionários americanos, e pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) baixaram e classificaram cerca de 7,5 mil transmissões religiosas. O relatório revela que os canais foram acompanhados durante dois meses. A filial brasileira não informa quem pagou a operação nem quanto ela custou.
Documentos reunidos por A Investigação ligam a estrutura brasileira à Luminate, criada pelo bilionário Pierre Omidyar, fundador do eBay e financiador da First Look Media, que lançou o The Intercept em 2014. A Open Society Foundations, fundada por George Soros, também aparece como apoiadora de um estudo da More in Common Brasil. Dinheiro estrangeiro, classificação de discurso político e falta de transparência sobre os custos se encontram no monitoramento das igrejas às vésperas da votação.
O levantamento reuniu quase 14 mil horas de áudio, equivalentes a 578 dias de transmissão contínua, em 25 estados e no Distrito Federal. O antropólogo Rodrigo Toniol, responsável pelo grupo Passagens, da UFRJ, escreveu na Folha de S.Paulo que o objetivo era “identificar crimes eleitorais e menções políticas nos púlpitos religiosos”. As falas passaram por filtros de palavras-chave e conferência de pesquisadores.
A Investigação já publicou relatórios sobre o monitoramento em massa de mensagens de WhatsApp e Telegram e de publicações em redes sociais nas eleições de 2022. A empresa Palver fornecia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma plataforma que rastreava expressões como referências ao voto auditável e críticas ao sistema eleitoral. A análise sobre a passagem da democracia à juristocracia descreveu como a vigilância e a classificação de discursos alimentam o controle político pelo Judiciário.
A correlação está no método: recolher falas em escala, atribuir-lhes categorias políticas e produzir relatórios sobre os cidadãos observados. Em 2022, a cooperação com o tribunal estava formalizada em termo assinado; em 2026, a pesquisa criou uma base de sermões e manifestações religiosas no período eleitoral. O levantamento inclui a identificação de igrejas e exemplos de falas que seus autores classificam como propaganda.
No X, o comentarista Roberto Motta comparou o monitoramento de cultos e missas no Brasil às práticas de regimes autoritários. “Vejam que fofo: missas e cultos estão sendo ‘monitorados’ para ver se estão sendo cometidos crimes de opinião (que eles chamam de ‘crimes eleitorais’). Não é na China, ou Coreia do Norte, ou Cuba. É aqui no Brasil mesmo”, escreveu.
Na China, o regime instala câmeras e grava áudio em igrejas e outras organizações religiosas para controlar o conteúdo dos sermões e garantir a lealdade ao Partido Comunista. O Instituto Brasileiro de Direito e Religião reagiu em 14 de outubro e advertiu para o risco de intimidação das comunidades. A crítica alcança a pretensão de procurar ilícitos em práticas religiosas e a divulgação de líderes associados a supostas irregularidades.
Os pesquisadores afirmam a esta reportagem que o estudo teve finalidade científica e usou recursos próprios, mas não detalharam os custos nem as regras de guarda e acesso às bases. Para Wallace de Oliveira, advogado e consultor em direito digital, a colaboração sem instrumento formal entre a universidade e a ONG, somada à falta de transparência financeira, deixa responsabilidades e salvaguardas sem explicação.
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A rede estrangeira e seus operadores no Brasil
A More in Common se apresenta como uma organização não partidária dedicada a enfrentar a polarização. No Brasil, é dirigida por Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da USP, colunista de O Globo e comentarista da GloboNews. Seu perfil institucional reúne essas funções. Ortellado ocupa, portanto, uma posição que combina direção da ONG, atividade universitária e presença na imprensa.
O parceiro no monitoramento foi o Passagens, grupo de pesquisa da UFRJ coordenado por Toniol, professor de antropologia e colunista da Folha de S.Paulo. Os dois responsáveis também assinam as interpretações do estudo: Ortellado pela More in Common e Toniol pelo núcleo acadêmico. O trabalho foi divulgado como pesquisa sobre a presença da política nos púlpitos católicos, batistas e das Assembleias de Deus.
A organização brasileira integra uma rede com equipes no Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Polônia, Espanha e Brasil. A estratégia global esclarece que as entidades nacionais têm personalidade jurídica própria, mas estão ligadas por um acordo de cooperação. Seus diretores respondem ao comando internacional, com autonomia para definir a atuação local. O centro global fica no Reino Unido e tem um conselho que aprova o orçamento anual.
A escala financeira também é internacional. No mesmo documento, a rede informa que seu orçamento mais que dobrou entre 2021 e 2025, de cerca de US$ 6 milhões para US$ 13 milhões — aproximadamente R$ 30 milhões e R$ 66 milhões em valores atuais. A principal fonte é a filantropia, com recursos nacionais, subvenções para vários países e apoio institucional sem vinculação a um produto específico.
Uma compilação fiscal de declarações americanas identifica a Foundation to Promote Open Society como a maior financiadora da More in Common Inc., entidade da rede nos Estados Unidos: cerca de US$ 5,1 milhões, ou R$ 26 milhões, em nove concessões entre 2020 e 2024. O conjunto mapeado pela base alcança aproximadamente US$ 23,5 milhões — R$ 119 milhões —, distribuídos por 50 financiadores entre 2019 e 2024.
Entre esses financiadores aparecem Luminate, Hewlett, Rockefeller Philanthropy Advisors, Democracy Fund e fundos que administram doações de terceiros, como Contina Impact e Fidelity Charitable. A lista também inclui recursos do Charles Koch Institute. A carteira ultrapassa um único campo filantrópico; no Brasil, porém, a página institucional resume a origem dos recursos a filantropia e investimento social, sem discriminar doadores, valores e projetos.
A ONG que intermediou a grana dos bilionários
O vínculo com a implantação brasileira está escrito na base da Luminate. Em 2024, a organização comprometeu US$ 250 mil, cerca de R$ 1,3 milhão, ao Instituto Incube para executar o plano de instalação da More in Common no país. A subvenção, descrita como inicial e com duração de 24 meses, previa contratar a direção executiva, registrar a pessoa jurídica, produzir o primeiro mapeamento de públicos e estabelecer parcerias para utilizar seus resultados.
O Incube é uma entidade brasileira que recebe e administra recursos para projetos de outras organizações. A More in Common começou a operar por essa estrutura intermediária. O relatório do instituto a coloca entre as dez iniciativas executoras que mais receberam recursos sob sua administração entre 2020 e 2024. Open Society e Luminate aparecem entre seus financiadores.
O Instituto Beja, organização filantrópica brasileira, oferece outra confirmação. Seu balanço de 2025 registra um aporte total de R$ 200 mil para “Instituto Incube – More in Common”, no eixo Democracia, com vigência de 2024 a 2026. Desse total, R$ 100 mil constam no exercício de 2025. A operação hospedada pelo Incube tinha, assim, apoio contratado até o ano das eleições.
O Incube tem como diretor executivo Raul Paulino Torres, contador que foi investigado pela Polícia Civil de São Paulo sob suspeita de transferir cerca de R$ 760 mil de outra ONG, o Instituto Sincronicidade para a Interação Social, para contas próprias e de sua empresa, sem respaldo contratual, segundo a acusação. Torres alegou acordo verbal para receber 5% da arrecadação; o Incube afirmou que a defesa apresentou provas da correção de sua conduta.
A Open Society aparece também no produto brasileiro. A ficha técnica de O Brasil Invisível, divulgado em 2025, reconhece o apoio da fundação de Soros, da Luminate, da Oak Foundation e do Bezos Earth Fund, além de Beja, Instituto Clima e Sociedade, Instituto Galo da Manhã e Instituto de Cultura, Comunicação & Incidência. Ortellado e Stephen Hawkins, pesquisador da rede internacional, assinam a direção geral do estudo.
O registro nominal desses apoiadores contrasta com a apresentação genérica das finanças no site brasileiro. A entidade não discrimina ali os valores de cada apoio, os canais pelos quais chegaram nem a distribuição entre pesquisas. Em Fé e voto, a omissão alcança o básico: financiador, orçamento e divisão de despesas com o grupo da UFRJ. O Incube exibe certificados de auditoria, mas condiciona o acesso aos relatórios completos a solicitação por e-mail.
O viés de quem classifica os brasileiros
A própria unidade americana declara, em tradução, ser “apartidária, mas não neutra”. No Brasil, a produção mistura levantamentos de opinião, interpretação ideológica e orientação estratégica. A organização escolhe as perguntas, os grupos em que divide a sociedade e os critérios para definir o que representa polarização, radicalização ou conteúdo cívico.
Em O Brasil Invisível, os brasileiros são separados em seis segmentos. Entre eles estão Progressistas Militantes, Esquerda Tradicional, Conservadores Tradicionais e Patriotas Indignados. A síntese associa estes últimos a religiosidade, bolsonarismo e desconfiança das instituições. Ao tratar dos conservadores, relaciona a percepção de hostilidade do Congresso, STF, TSE e imprensa a um ciclo de exclusão e radicalização.
Há uma assimetria nesse enquadramento. A desconfiança conservadora aparece como problema para a democracia liberal; as diferenças de renda, escolaridade e religiosidade dos progressistas são apresentadas como características usadas por seus adversários para acusá-los de elitismo. A interpretação trata as críticas às instituições como sintoma de uma identidade política, sem demonstrar, nesse resumo, se as queixas decorrem de condutas dessas mesmas instituições.
A distinção também está no estudo religioso. “Propaganda eleitoral” inclui promoção ou ataque a candidaturas, referências nominais e bênçãos. Já “conteúdo cívico” reúne falas em favor do voto consciente e contra a divisão social. A equipe que construiu os filtros também decidiu em qual categoria cada trecho entrava. O resultado depende tanto do que foi dito quanto dos critérios escolhidos para interpretar a fala.
Os próprios resultados, porém, desmontam a imagem de propaganda generalizada: cerca de 3% das celebrações entraram na categoria eleitoral, mesmo sob a definição ampliada. Em sua apresentação, Ortellado destacou que a incidência era pequena e contrariava a percepção de que líderes religiosos controlam eleitoralmente os fiéis. O estudo encontrou 0,7% nas missas católicas, 1,4% nos cultos batistas e 8,3% nas Assembleias de Deus.
Numa pesquisa com a Ipsos-Ipec, Ortellado afirmou: “Somos mais parecidos e temos mais coisas em comum do que pensamos”. O levantamento encontrou eleitores de direita menos distantes de posições democráticas e de igualdade do que seus adversários supunham. O viés mais consistente do conjunto é a escolha de um diagnóstico e de uma intervenção: identificar a polarização, mapear públicos e orientar organizações para modificar o debate.
Ortellado, o diretor
A função estratégica aparece sem rodeios no ciclo de formação que a More in Common Brasil anunciou para 2026. O programa ensinava organizações da sociedade civil a usar O Brasil Invisível, com ênfase nos grupos menos envolvidos na política. Os encontros abordavam valores, medos e linguagens que aproximam ou afastam cada segmento, seguidos de oficinas para aplicar o aprendizado aos planos e campanhas dos participantes.
A entidade também publicou um painel com dados de 10 mil entrevistados sobre religião, gênero, raça, confiança institucional e consumo de mídia. Na apresentação, explica que os parceiros podem selecionar parcelas da população e ajustar estratégias. O retrato dos brasileiros se converte em ferramenta de atuação sobre os grupos mapeados.
Ortellado está em mais de uma ponta dessa produção. Além de dirigir a More in Common, coordena o Monitor do Debate Político, grupo ligado à USP e ao Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), que coassina com a ONG estimativas de público em manifestações. O Monitor identifica como parceiros a More in Common e o Instituto Galo da Manhã, que também apoiou O Brasil Invisível. Pesquisas, contagens de atos e interpretações sobre o eleitorado circulam pelo mesmo núcleo institucional.
A conexão alcança integrantes com atuação junto ao governo. Ergon Cugler, coordenador técnico de O Brasil Invisível, apresentou-se à Câmara em setembro de 2025 como pesquisador da More in Common e conselheiro da Presidência da República no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, o Conselhão. É uma sobreposição de funções que torna relevante conhecer os critérios de independência, os contratos e os destinatários das pesquisas.
O plano internacional mede o êxito da rede pela adoção de seus enquadramentos no debate, por campanhas de parceiros e pelo impacto sobre políticas, leis e programas partidários. No Brasil, Ortellado participa da direção de estudos e ocupa espaços de comentário em O Globo e na GloboNews; Toniol apresentou na Folha de S.Paulo o trabalho que ajudou a executar. Quem produz e classifica os dados também participa da construção de seu significado político para o público.
Como os sermões viraram dados eleitorais
O monitoramento começou antes das duas datas escolhidas para a análise. Durante dois meses, os pesquisadores acompanharam canais de igrejas católicas, batistas e das Assembleias de Deus no YouTube. Para localizar as transmissões, fizeram buscas e cruzaram informações com cadastros religiosos. Três estudos preliminares serviram para ajustar a base e testar as ferramentas de identificação de falas políticas.
Depois, baixaram e transcreveram as celebrações de 20 e 27 de setembro. Conforme a metodologia do estudo descreve, palavras-chave selecionavam passagens potencialmente políticas, que recebiam uma conferência manual e outras duas validações por pesquisadores. O procedimento combinou filtros com julgamento humano. O documento, porém, não informa a taxa de erro das transcrições nem apresenta uma medida de concordância entre os avaliadores.
A definição de propaganda adotada pela equipe ultrapassa o pedido explícito de voto: inclui promoção ou ataque a candidaturas e campos políticos, menções a candidatos e bênçãos. Já o conteúdo cívico reúne orientações para o voto consciente e manifestações contra a polarização, sem indicação de candidatura ou campo político. São categorias construídas pelos pesquisadores, que não equivalem à comprovação de uma infração eleitoral.
O resultado foi uma incidência pequena de propaganda: cerca de 3% das 7,5 mil celebrações analisadas. A proporção variou de 0,7% nas missas católicas a 1,4% nos cultos batistas e 8,3% nas Assembleias de Deus. Conteúdos classificados como cívicos apareceram em aproximadamente 15% das transmissões, quase cinco vezes mais. A própria organização destaca que a propaganda foi minoritária nas três tradições.
A abrangência geográfica não torna a amostra representativa das igrejas brasileiras. O levantamento alcançou celebrações em 25 estados e no Distrito Federal, mas ficou restrito às três tradições selecionadas e às transmissões encontradas no YouTube. Os autores reconhecem que não sabem se as igrejas que transmitem suas celebrações apresentam mais ou menos propaganda do que as demais. Os percentuais, portanto, descrevem o material analisado, sem permitir sua extensão automática ao conjunto dos templos.
Também há uma distância entre registrar orientações eleitorais e medir seu efeito. Ortellado apresenta os resultados como contraponto à imagem do “voto de cajado”, em que fiéis seguiriam as determinações de seus líderes. Em resposta a nossa reportagem, Ortellado se disse surpreso com a reação negativa ao estudo.
“Achávamos que o resultado seria bem recebido pela comunidade religiosa, já que uma avaliação externa independente mostrava que há muito conteúdo cívico saudável e que os pedidos de voto são um fenômeno pequeno — o que é contrário ao estereótipo do ‘voto de cajado’”, disse.
Ortellado também acrescentou que não sabem bem “como surgiu a ideia de que ‘a esquerda’ monitorou igrejas para denunciar propaganda religiosa, ameaçando a liberdade de culto. Acreditamos que os críticos não leram nem o estudo, nem a reportagem”, concluiu.
Liberdade de culto sob vigilância
Para Wallace de Oliveira, advogado e consultor em direito digital, a finalidade científica e o caráter público das transmissões não encerram as questões sobre o monitoramento. A colaboração sem instrumento formal entre a UFRJ e a ONG, somada à falta de detalhamento financeiro, deixa sem esclarecimento as responsabilidades pela operação. Segundo ele, transformar milhares de celebrações em uma base de falas classificadas politicamente exige explicar quais salvaguardas protegeram os dados de padres, pastores e fiéis.
O fato de as transmissões serem abertas não afasta, por si só, a proteção da LGPD. Wallace destaca a necessidade de justificar a finalidade do tratamento e os cuidados com informações que revelem convicção religiosa ou opinião política de pessoas identificáveis. Para ele, a identificação dos templos e os links para vídeos classificados como propaganda ampliam os riscos de exposição e de associação indevida de celebrantes a práticas ilegais.
A vigilância também pode afetar a liberdade de culto. “Ministros da fé passam a se autocensurar por receio de que pregações doutrinárias tradicionais sejam arbitrariamente rotuladas como infrações eleitorais”, afirma. Wallace vê na distinção entre conteúdo cívico e propaganda uma margem para classificações contestáveis e estigmatização de comunidades religiosas. Ressalta que os relatórios dos pesquisadores não estabelecem crimes nem autorizam sanções.
Segundo o advogado, exposição indevida ou associação infundada a ilícitos pode fundamentar pedidos de indenização e retirada de conteúdo, conforme o dano e as circunstâncias. Eventuais infrações às regras de proteção de dados também podem provocar fiscalização e sanções, conforme o enquadramento da atividade e dos responsáveis. Repercussões penais ou eleitorais exigem elementos específicos: uma classificação contestável não configura automaticamente crime contra a honra, assim como encaminhar um relatório a uma autoridade não constitui, por si só, abuso eleitoral.
No financiamento, Wallace identifica um risco de influência estrangeira sobre o debate nacional pela escolha das iniciativas apoiadas, dos temas investigados e das narrativas difundidas. Sua avaliação reforça a necessidade de esclarecer quem custeou o levantamento e qual foi a participação dos financiadores. A afirmação de que foram usados recursos próprios das instituições não detalha a origem desse dinheiro nem esclarece eventual participação de doadores nas decisões sobre a pesquisa.
A participação da UFRJ acrescenta uma obrigação de prestar contas. A autonomia universitária, diz Wallace, “não serve de escudo para blindar parcerias opacas com entidades privadas”. Recursos empregados, responsabilidades assumidas e registros da colaboração podem ser objeto de pedidos de informação à universidade. A ausência de instrumento formal não comprova irregularidade, mas tampouco afasta a fiscalização sobre o uso da estrutura pública.
O que dizem os envolvidos
Pablo Ortellado, diretor executivo da More in Common Brasil, afirmou que o estudo foi custeado com “recursos próprios” da organização e do Grupo Passagens, da UFRJ, sem financiamento externo. Disse que a entidade recebe recursos filantrópicos conforme a legislação brasileira. Não informou o custo do levantamento nem apresentou a relação de financiadores e valores destinados à operação brasileira, solicitada pela reportagem.
Sobre os dados, Ortellado sustentou que a pesquisa analisou vídeos publicados pelas próprias igrejas, com resultados agregados e exemplos ligados às transmissões originais. Negou ter compartilhado as gravações. Não esclareceu quem controla as bases, onde estão armazenadas, por quanto tempo serão conservadas nem a circulação das transcrições e classificações entre fornecedores, unidades estrangeiras ou outros destinatários.
Rodrigo Toniol, professor de antropologia da UFRJ e coordenador do Passagens, informou que não houve convênio, contrato ou outro instrumento formal entre a universidade e a More in Common. Segundo ele, a colaboração mobilizou recursos humanos e técnicos das duas instituições. Não detalhou a divisão das tarefas e despesas. Afirmou que autoridades, partidos e candidaturas não solicitaram nem participaram da pesquisa.
Ambos disseram que a análise não é jurídica e que seu objetivo era compreender as manifestações eleitorais nos púlpitos, sem finalidade de fiscalização. Questionado sobre ter escrito na Folha de S.Paulo que o monitoramento buscava identificar “crimes eleitorais”, Toniol afirmou que se referia a possíveis irregularidades, sem atribuir responsabilidade a pessoas ou instituições. Ortellado destacou que o conteúdo cívico foi cerca de cinco vezes mais frequente que a propaganda eleitoral e considerou que as críticas desconsideraram esse resultado.
Toniol também citou pesquisas semelhantes do Pew Research Center e invocou as hipóteses da LGPD para estudos por órgãos de pesquisa. Sobre a avaliação ética, fundamentou a dispensa de submissão ao Conep por utilizar informações de acesso público. Não apresentou uma avaliação específica dos riscos de identificação e exposição dos participantes.
Leia as respostas na íntegra aqui.
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No final de junho, participei da segunda edição do Westminster Free Speech Forum, realizado na sede da revista britânica UnHerd, no coração político de Londres. Organizado por Michael Shellenberger, o evento reuniu jornalistas, ativistas, parlamentares e pesquisadores de diversos países para discutir o avanço da censura institucional no Ocidente.








Se não tem fim eleitoral/eleitoreiro, por quê não fizeram nas de matriz africana? Ou judias? Islâmicas? Isso é pura perseguição.
Eles querem acabar com o Cristianismo.
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