Em 13 de outubro, o Movimento Advogados de Direita Brasil cobrou do PL autorização para organizar uma rede de fiscalização no segundo turno. A entidade afirma reunir mais de 9 mil advogados cadastrados no país e oferece atuação voluntária, capacitação e apoio jurídico no dia da votação. Segundo sua coordenadora nacional, Géssica Araújo, a mobilização ainda depende da formalização da parceria com o partido.
Em entrevista a A Investigação, Géssica explicou que a proposta inclui uma equipe jurídica para atender ocorrências nos locais de votação e treinar os cidadãos que já se inscreveram como fiscais. O movimento diz ter diretores em todos os estados e pretende organizar uma central para receber e acompanhar os relatos das equipes.
A advogada afirma que, se receber a autorização até sexta-feira, 16 de outubro, consegue iniciar a mobilização e o treinamento dos voluntários a tempo do segundo turno. A participação dos profissionais passaria por seleção dos coordenadores locais.
O PL respondeu à cobrança nas redes de forma evasiva informando que mantém uma plataforma de fiscais desde o primeiro turno. Segundo o partido, os inscritos escolhem o local de atuação, recebem orientações e obtêm o crachá, conforme as regras do TSE. A legenda também pediu a colaboração de todos no segundo turno.
Géssica busca formalizar o apoio jurídico da entidade, com procurações para os profissionais que representarão o partido e treinamento para os fiscais.
Precisamos de você
Esta reportagem foi disponibilizada gratuitamente graças ao apoio dos nossos assinantes. Considere se tornar um assinante pago para garantir que este trabalho continue. É apenas R$ 15 por mês.
Além de entrar para nossa comunidade de assinantes, você ainda recebe conteúdos exclusivos.
Para assinaturas com pix envie email para anvestigacao.com@gmail.com
Treinamento e apoio jurídico para a fiscalização
Géssica defende acompanhamento próximo dos voluntários. Segundo ela, o movimento recebe pelo Instagram relatos de inscritos que reclamam de falta de treinamento e de dúvidas sem resposta nos grupos de WhatsApp. A coordenadora considera insuficiente depender apenas de um cadastro eletrônico e de um vídeo breve de orientação.
A capacitação proposta incluiria orientações para reconhecer irregularidades, registrar ocorrências e procurar a autoridade competente. Os voluntários receberiam treinamento para lidar com boca de urna e outras situações no dia da eleição, com apoio jurídico nos casos que exigissem providências.
O movimento também se dispõe a treinar os fiscais já inscritos pelo PL. Uma central reuniria os relatos das equipes, orientaria os voluntários e encaminharia as ocorrências que precisassem de atendimento jurídico.
Para organizar esse suporte, Géssica pede procurações que permitam aos advogados representar o partido, além da definição dos credenciamentos e da distribuição das equipes. Segundo ela, o movimento não tem vínculo partidário, embora se identifique com os valores defendidos por Bolsonaro.
O próprio termo de adesão do PL distingue a inscrição como fiscal da representação jurídica do partido. O documento estabelece que informar a formação jurídica e o número da OAB serve à organização das tarefas de fiscalização e não equivale a mandato judicial. A participação no programa também não autoriza o inscrito a ajuizar medidas em nome da legenda.
A resolução do TSE prevê que partidos, federações e coligações emitam as credenciais de seus fiscais e delegados. Os fiscais podem acompanhar mais de uma seção e apresentar protestos e impugnações. O apoio dos advogados ofereceria às equipes suporte técnico para encaminhar as medidas jurídicas necessárias.
De sete a mais de 9 mil advogados
Segundo Géssica, o projeto nasceu em Pernambuco depois do atentado contra Jair Bolsonaro, em setembro de 2018. Após a facada, reuniram-se sete advogados na sede do PSL para organizar uma iniciativa de fiscalização.
O grupo contratou um desenvolvedor e colocou no ar o sistema Fiscais do Mito. A coordenadora relata que a mobilização reuniu mais de 4 mil pessoas no estado, com a participação de quase 400 advogados, além de profissionais de tecnologia e outros voluntários.
Em 24 de outubro de 2018, a Folha de Pernambuco publicou uma nota da assessoria nacional do PSL que reconhecia o site como canal de cadastro de fiscais, representantes e delegados no estado. Na ocasião, a legenda informou que mais de 2 mil pessoas já tinham sido credenciadas pela plataforma.
A nota explicava que o cadastro e a comunicação ao TRE de Pernambuco permitiriam a emissão das credenciais. O partido também acolhia a participação voluntária de advogados e eleitores. Em 2022, segundo Géssica, o grupo voltou a organizar a fiscalização e obteve procurações dos diretórios do PL de Pernambuco e de Alagoas.
A plataforma do PL e os mapas de fiscalização
O programa nacional de fiscais foi anunciado por Flávio Bolsonaro em 17 de setembro. Na transmissão, o candidato informou que haveria seleção, credenciamento e treinamento de apoiadores para acompanhar a votação, especialmente o fechamento das urnas.
A plataforma do partido orienta os voluntários a acompanhar a emissão da zerésima, que registra a ausência de votos antes da abertura, a identificação dos eleitores, o funcionamento da seção e a divulgação do boletim de urna. O site informa que o cadastro para o segundo turno vai até 24 de outubro e dispõe de um portal para acompanhar a inscrição e receber orientações.
Em 25 de setembro, o YouTuber Ricardo Albuquerque Pinto, o Peter Turguniev, do canal Ancapsu, divulgou o programa e pediu que seus seguidores se inscrevessem. O chamado ocorreu oito dias depois do anúncio de Flávio. Peter também divulgou uma ferramenta de consulta para ajudar a identificar seções onde concentrar a fiscalização.
Paralelamente, o empresário e influenciador Leonardo Dias publicou um levantamento que organiza cerca de 13 mil seções em 10 mil locais de votação, com endereços e três níveis de prioridade. O trabalho usa boletins de urna do primeiro turno e combina 12 critérios, entre eles diferenças de votação em relação ao restante da zona, encerramento tardio, uso de urna de reserva e índices de votos brancos e nulos fora do padrão.
A proposta dos Advogados de Direita Brasil acrescenta a capacitação e o apoio jurídico para as situações que essas equipes encontrarem no dia da votação. Segundo Géssica, o movimento tem estrutura para prestar esse serviço gratuitamente e aguarda o aval do partido.
Podemos contar com você?
Ficamos muito felizes por você ter lido esta reportagem até o final! No entanto, não pudemos deixar de notar que, embora você seja um leitor fiel de A Investigação, ainda não é assinante.
Dependemos 100% dos nossos assinantes. Com apenas R$ 15 por mês, você entra para a nossa comunidade e nos ajuda a continuar investigando o que querem esconder de você.
Leia mais:
Criador do Dilma Bolada fez o primeiro post da campanha falsa sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora
Em 24 de setembro de 2026, perfis ligados à militância de Lula transformaram em campanha digital a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história havia começado a circular no X na noite anterior, sem proposta do senador nem manifestação dos evangélicos apontados como interessados…







Essa é a nossa "Direita" que vive dormindo no ponto enquanto a máfia esquerdista atua 24X7 sem fim de semana e feriados. Inclusive dia 12/10 feriado fizeram o que fizeram na av. Paulista. Se o PL alegar falta de grana será um mentira deslavada.
https://youtu.be/U38MIvK51ng?si=GR4R2Mv2Dkai9BXd
Reunião do PL para decidir o acompanhamento das eleições.