Dia da Mulher: o show de marketing de Moraes com a soltura de presas do 8 de janeiro
Mensagens reveladas pela Vaza Toga mostram que, enquanto o gesto era anunciado, o gabinete buscava provas para manter parte das mulheres na cadeia.
Três anos atrás, em 8 de março de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou manchetes favoráveis ao anunciar a libertação de 149 mulheres presas após os distúrbios de 8 de janeiro. A data não era coincidência: era o Dia Internacional da Mulher, e o gesto foi recebido com aplausos por editoriais e comentaristas como um ato de compaixão, uma demonstração de que o tribunal sabia distinguir entre réus perigosos e cidadãs comuns arrastadas pelo calor dos eventos.
O que ninguém sabia, naquele dia, era o que os documentos vazados da Vaza Toga 2 viriam a revelar anos depois, em agosto de 2025. A reportagem, produzida por A Investigação em parceria com Eli Vieira e publicada pelo Civilization Works de Michael Shellenberger, revelou que a decisão não tinha nada a ver com compaixão. Enquanto as câmeras capturavam o comunicado oficial do Supremo, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes trabalhava nos bastidores para encontrar provas que justificassem manter essas mesmas mulheres na prisão. A libertação foi um ato de marketing. A investigação paralela, um segredo.
Hoje, no aniversário exato daquele episódio, voltamos a ele — com os documentos, com os nomes e com as consequências que se arrastam até hoje.
O cenário do show
Na manhã de 3 de março de 2023, Cristina Yukiko Kusahara, chefe de gabinete de Moraes no STF, enviou uma mensagem a Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (AEED). A instrução era do próprio ministro: verificar se alguma das mulheres presas havia participado de grupos no WhatsApp ou Telegram “sobre o golpe”.
Tagliaferro respondeu com um problema técnico: o conteúdo dos grupos havia sido apagado após o 8 de janeiro — pelos próprios participantes, mas também, revelou ele, pela própria equipe do tribunal. Então perguntou se poderia recorrer ao que chamou de “parceiros externos” — indivíduos que, sem mandado judicial e sem vínculo formal, haviam se infiltrado em chats privados e já haviam passado dados ao tribunal em ocasiões anteriores. Kusahara hesitou. O risco de a lista de presas vazar era grande demais. Em vez de usar os canais oficiais, instruiu Tagliaferro a enviar o pedido de autorização diretamente ao e-mail pessoal de Moraes: alegemeos@uol.com.br. “Já avisei a ele que você vai mandar”, acrescentou ela.



No dia 4 de março, Tagliaferro informou que o ministro não havia respondido. A equipe continuou pelo método convencional — e chegou ao resultado que Tagliaferro já havia previsto. Em 7 de março, ao final do dia, ele enviou o relatório final ao grupo: grupos de WhatsApp e Telegram das mulheres presas “não constam porque foram derrubados e as pessoas também saíram e excluíram”. Não havia nada a mostrar.
“A PGR pediu a LP deles, mas o ministro não quer soltar sem antes a gente ver nas redes se tem alguma coisa.” — Cristina Kusahara, chefe de gabinete de Moraes, em mensagem ao grupo do WhatsApp (13 de fevereiro de 2023)
Na manhã do próprio 8 de março, às 10h56, Cristina escreveu novamente a Tagliaferro: queria saber se as certidões positivas das mulheres estavam “fáceis de imprimir” para mostrar ao ministro. Às 12h51, a resposta chegou. Tagliaferro listou 17 nomes. Cada um acompanhado do respectivo PDF. Eram as mulheres para quem a equipe havia encontrado algo — uma postagem, um grupo, uma imagem — que pudesse justificar a continuidade da detenção. Elas não seriam incluídas na soltura do Dia da Mulher.
A soltura em massa, portanto, não foi apenas uma decisão pública. Foi também o resultado de uma triagem paralela, feita nos bastidores, para definir quem serviria ao gesto e quem permaneceria fora dele. O Supremo nunca publicou a lista oficial das 149 mulheres libertas naquele dia. Nunca explicou os critérios. A única soltura que a equipe conseguiu confirmar com certeza foi a de Camila Mendonça Marques, vendedora de materiais de construção de 35 anos, mãe de dois filhos pequenos de 5 e 9 anos — solta porque era a única responsável pelo cuidado das crianças. Meses depois, foi presa de novo porque a tornozeleira eletrônica parou de funcionar.
O que aconteceu nos bastidores
O grupo de WhatsApp “Audiências de Custódia” foi criado por Kusahara às 14h12 do dia 13 de janeiro de 2023 — cinco dias depois dos distúrbios. O ritmo exigido era explícito desde a primeira mensagem de serviço: “Temos 1.200 pessoas custodiadas e a maioria será libertada. Não podemos nos dar ao luxo de ficar filosofando.” A resposta de Tagliaferro — alertando que a equipe nunca havia feito esse tipo de trabalho de inteligência — foi recebida com impaciência: “O pessoal aí está mal acostumado a trabalhar no ritmo próprio e não no ritmo do ministro.”




Em 10 de janeiro, Moraes havia centralizado todas as decisões de detenção exclusivamente em suas mãos. Os juízes de primeira instância podiam conduzir as audiências de custódia, mas apenas para verificar a legalidade formal da prisão — não para decidir sobre a soltura. O filtro real era outro.
As certidões eram documentos produzidos pela AEED usando, entre outros recursos, o GestBio — o banco de dados biométrico do TSE com impressões digitais, imagens faciais e dados pessoais de praticamente todos os adultos brasileiros. Cruzavam os nomes dos detidos com redes sociais, grupos de mensagens e histórico de postagens. Qualquer conteúdo crítico ao STF ou ao PT, qualquer meme questionando as eleições, qualquer participação em grupo de Telegram podia resultar no rótulo “positivo”. Esses documentos nunca foram compartilhados com os advogados de defesa. Nunca foram inseridos nos autos oficiais. Mas eram decisivos na prática: quem recebia uma certidão positiva permanecia preso.
A escala da operação aparece com clareza nas mensagens. No fim da noite de 13 de janeiro, Tagliaferro contabilizou cerca de 200 certidões concluídas. No fim do dia 14 de janeiro, o total havia chegado a 405. Na manhã de 16 de janeiro, 853 de 1.398 estavam prontas. Na noite do mesmo dia, 1.225. Em 17 de janeiro, Tagliaferro comunicou a conclusão: “finalizados, 1.398 certidões”. Ao mesmo tempo, anotou que “muitos perfis foram excluídos ou removeram um período de publicação” — um detalhe relevante, porque significava que as certidões negativas podiam refletir não a ausência de engajamento político, mas apenas a capacidade de alguém de apagar seu histórico antes de ser identificado.



Em 13 de fevereiro, uma nova rodada expôs com ainda mais clareza a função das certidões. Kusahara encaminhou um lote de 20 casos ao grupo e explicou: “A PGR pediu LP para eles, mas o Min não quer soltar sem antes a gente ver nas redes se tem alguma coisa.” LP é liberdade provisória. A própria Procuradoria-Geral da República havia recomendado a soltura. Moraes estava usando a AEED como contrapeso informal a essa recomendação.
A farsa registrada em emojis
Em 1º de março de 2023, o juiz instrutor Airton Vieira encerrou sua função de supervisionar as audiências de custódia dos detidos de 8 de janeiro e se despediu do grupo com uma mensagem que define o espírito de toda a operação: “Que nas audiências de custódia possamos dar a cada um o que lhe é de direito: a prisão! 😜😜😜😜😜”
Tagliaferro respondeu com gargalhadas em emojis. Marco Vargas escreveu: “Kkkkk valeu Airton!!!”
Os emojis de um juiz encarregado de garantir o devido processo legal, registrados em um grupo de WhatsApp operado dentro da mais alta corte do país, revelam com clareza o que era aquele sistema: não audiências, mas encenações. Não análise de provas, mas execução de decisões previamente tomadas. A piada era interna. O custo, externo.
O tom havia sido estabelecido desde o primeiro dia. Quando o sistema do TSE apresentou falhas e Tagliaferro alertou para as limitações técnicas, Kusahara sugeriu, em tom de ironia, pedir ajuda ao secretário-geral do TSE: “Dr. Levi vai orientá-los agora, tudo vai dar certo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk”. Tagliaferro respondeu: “Jesus, que boa notícia” — e adicionou que o colega provavelmente “nem sinal” havia dado de aparecer para ajudar. Mais tarde, Kusahara brincou que Levi levaria o crédito por tudo. A casualidade com que se discutia o destino de 1.398 pessoas não era acidental. Era o tom do grupo.
As que ficaram para trás
Entre as 17 mulheres com certidões positivas entregues a Kusahara naquele 8 de março, uma tem um dado adicional revelado pelo próprio grupo. Em 19 de janeiro de 2023, quando Tagliaferro listava os últimos nomes com certidões ainda em elaboração — incluindo o de Ana Priscila Silva de Azevedo —, Airton Vieira interveio no grupo: “Ana Priscila Silva de Azevedo, smj, está presa por preventiva do Ministro. Eu fiz a audiência de custódia dela.” Ela já estava presa por ordem direta de Moraes antes mesmo de ter uma certidão positiva. A certidão, nesse caso, veio depois da decisão. A narrativa de que as certidões embasavam as prisões tinha uma exceção documentada nos próprios arquivos vazados.
Mesmo entre as mulheres que receberam certidões negativas — aquelas para quem a equipe não encontrou nada —, dezenas permaneceram presas por semanas ou meses. Os critérios nunca foram explicados.
Regina Aparecida Modesto, engenheira de 55 anos e pastora de São Paulo, foi a Brasília orar com um grupo de pastores. Condenada a 17 anos de prisão. Durante os sete meses em prisão preventiva, perdeu contratos avaliados em milhões de reais e desenvolveu sinais de câncer de cólon.
Dirce Rogério, 55 anos, de Santa Catarina, foi condenada a 16 anos sem prova de ato violento. A Polícia Federal a prendeu novamente em 2024, alegando risco de fuga. Em outubro de 2025, o ministro Dias Toffoli rejeitou seu pedido de revisão criminal.
Jaqueline Freitas Gimenez, mãe de dois filhos pequenos, foi condenada a 17 anos. Desde a prisão, enfrenta dificuldades para acessar defesa jurídica.
Vildete da Silva Guardia tem um caso documentado de forma singular no próprio grupo. Em 13 de janeiro de 2023, às 16h53, Tagliaferro escreveu: “a segunda (vildete) emitindo certidao, positiva”. Três minutos depois, às 16h56, corrigiu: “vildete negativa tambem, era outra pessoa”. O erro — uma confusão de identidade — foi identificado e corrigido em menos de cinco minutos. Vildete, de 74 anos, ficou presa 21 dias depois disso, saindo apenas após uma hemorragia intestinal grave. Condenada a 11 anos e 11 meses, foi presa novamente em junho de 2024.
Obteve prisão domiciliar em abril de 2025, voltou à cadeia em julho de 2025 por suposto descumprimento das regras da tornozeleira — ela usava andador para se locomover — e só retornou ao regime domiciliar em agosto de 2025, após nova repercussão pública. A questão sobre qual versão da certidão chegou aos autos do seu processo nunca foi respondida.
Em janeiro de 2026, três anos após os eventos, o STF divulgou um balanço: 179 pessoas ainda estavam presas, com 114 em regime fechado. No total, 1.399 haviam sido formalmente responsabilizadas.
Os “parceiros externos”
Quando a equipe do TSE não conseguia encontrar provas nos canais normais, recorria a “parceiros externos” — indivíduos sem vínculo formal com o tribunal, sem mandado judicial, que haviam se infiltrado em grupos privados de mensagens para coletar dados em nome do aparato de Moraes.
O alcance dessa rede só ficaria mais claro com a Vaza Toga 3: a Palver, empresa brasileira que mantém até hoje acesso infiltrado em cerca de 100 mil grupos de WhatsApp e Telegram e repassava dados ao entorno de Moraes. O que em janeiro de 2023 parecia uma improvisação de emergência era parte de uma infraestrutura de vigilância já em funcionamento.
O exemplo mais emblemático da rede paralela é o de Letícia Sallorenzo, identificada nas mensagens da Vaza Toga como “a Bruxa”. Em seu currículo Lattes, ela se descreve como “colaboradora informal” do TSE desde 2022, com carga horária de 20 horas semanais. Fontes ouvidas pela equipe descrevem uma atuação que ia além de qualquer colaboração técnica: compilava listas de alvos e as enviava diretamente ao gabinete de Moraes. Sua tese de doutorado, qualificada em outubro de 2024 na UnB, usa a teoria do firehosing — da RAND Corporation — para justificar as ações censórias de Moraes, e foi mobilizada pela Polícia Federal para sustentar alegações contra Jair Bolsonaro.
As reações institucionais
Os especialistas consultados para a reportagem foram unânimes: o que foi apresentado como compaixão era, juridicamente, um sistema paralelo sem amparo legal. Para Hugo Freitas, mestre em Direito pela UFMG, vincular a libertação de mulheres ao Dia Internacional da Mulher revela o problema por si só. “Isso dá a impressão de um tribunal guiado por gestos simbólicos, em vez de critérios jurídicos.” A prisão preventiva, lembra Freitas, só pode ser imposta diante de ameaça real à ordem pública — não para aguardar uma data favorável no calendário.
O advogado André Marsiglia é mais direto: “O órgão responsável pelo julgamento não pode ser o mesmo que produz as provas.” O ex-procurador Deltan Dallagnol aponta o impedimento formal: Moraes presidia o TSE enquanto dirigia a coleta de provas e atuava como relator no STF julgando os mesmos casos — paralelo exato, diz ele, com a Operação Satiagraha, anulada pelo STJ porque agentes de inteligência agiram clandestinamente sem autoridade legal.
As revelações da Vaza Toga 2 geraram a maior movimentação parlamentar contra um ministro do STF em décadas. O partido Novo protocolou pedido de processo disciplinar contra Kusahara junto ao presidente Barroso — sem resposta pública até hoje. O senador Esperidião Amin reuniu 29 assinaturas para a CPI da Vaza Toga no Senado — o requerimento nem chegou a ser numerado pelo presidente Davi Alcolumbre.
O deputado Marcel van Hattem encabeçou pedido de impeachment com 90 assinaturas na Câmara. A oposição chegou a ocupar a mesa do Senado por 48 horas exigindo a pauta — saiu sem compromisso nenhum. O CNJ arquivou sumariamente o pedido contra Airton Vieira e Marco Vargas, argumentando que as condutas dos auxiliares remetiam ao próprio ministro — e o CNJ não tem jurisdição sobre ministros do STF.
O círculo fechou em si mesmo em cada uma das tentativas. No dia 8 de março de 2026, três anos depois, mulheres como Dirce Rogério, Regina Modesto e Jaqueline Gimenez ainda respondem a processos com penas que chegam a 17 anos. Nenhum inquérito formal foi aberto para apurar a conduta de Kusahara, Vieira ou Vargas.
A produção de 1.398 certidões em quatro dias, usando um banco de dados biométrico constitucionalmente vedado para fins investigativos, alimentando um sistema paralelo que nunca foi revelado às defesas — tudo isso permanece, até hoje, sem investigação, sem sanção e sem revisão por qualquer tribunal ordinário.
A resposta do sistema
A única ação que prosperou foi a movida contra os denunciantes. Em outubro de 2025, Letícia Sallorenzo, identificada nas mensagens como “a Bruxa do TSE”, protocolou no STF uma representação criminal contra os autores desta reportagem — David Ágape e Eli Vieira — e contra Eduardo Tagliaferro. A petição listava crimes que iam de difamação a abolição violenta do Estado Democrático de Direito, sem apontar um único ato concreto praticado pelos jornalistas.
A peça foi distribuída, por “prevenção”, diretamente ao gabinete de Moraes: o mesmo ministro alvo das reportagens, julgando a queixa movida por uma colaboradora informal do seu próprio aparato. Em 26 de janeiro de 2026, Moraes arquivou a ação, seguindo o parecer do procurador-geral Paulo Gonet, que não encontrou “indícios mínimos da ocorrência de ilícito penal”. Nenhuma das reportagens foi contestada em seu mérito.
Tagliaferro, no entanto, segue réu — não pelo que produziu nas certidões, mas por ter revelado que as produziu. A acusação abrange violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O relator é Moraes. A defesa suscitou impedimento e suspeição; Moraes rejeitou.
Em 2 de março de 2026, ele rejeitou também todos os demais pedidos da defesa, citou Tagliaferro por edital como se seu paradeiro fosse “incerto e não sabido” — enquanto o ex-assessor participava de audiências públicas no Senado e comparecia a tribunais na Itália — e marcou audiência de instrução para 17 de março, a ser presidida por uma juíza auxiliar do seu próprio gabinete. A defesa contestou a citação como nula, argumentando que ela deveria ter sido feita por carta rogatória, e anunciou nova denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos pela “condução ilegal e persecutória” do caso. A audiência de extradição na Itália foi remarcada para 20 de março.
Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou o PL da Dosimetria — não uma anistia, mas uma alteração no cálculo de penas que reduziria as condenações de quem agiu em contexto de multidão sem papel de liderança. Era menos do que muitos esperavam e mais do que o governo aceitava. Lula vetou integralmente em 8 de janeiro de 2026, durante cerimônia no Palácio do Planalto, no terceiro aniversário dos ataques. O veto ainda pode ser derrubado pelo Congresso. Por ora, é o que existe.
Os 17 arquivos PDF enviados por Tagliaferro às 12h51 do dia 8 de março de 2023 foram impressos. Foram levados ao Ministro. Determinaram quem ficou preso naquele Dia da Mulher. E nunca foram juntados aos autos.
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É simplesmente inaceitável o Congresso não tomar essas provas como fatos para instaurar um processo de impeachment. Afinal, para a "Vaza Toga", eles - STF - descumpriram o ART 157 do CPP: "São inadmissíveis,
devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais."
Isso não se trata de hackeamento. É testemunho de um funcionário com provas robustas.
COMO CONFIAR E ESPERAR QQ AÇÃO, SE ATÉ A “suprema corte” É UM ANTRO DE MARGINAIS CRIMINOSOS e, senado + congresso , fora cumplices bandidos, DEMAIS UNS “BANANÕES”?!