“Assinei sem ler”: Messias chora e dá desculpa esfarrapada sobre parecer abortista da AGU
A justificativa só piora o caso: ao confessar que assinou sem ler um parecer que libera aborto de bebês viáveis, o AGU de Lula expõe incapacidade para assumir cadeira no STF
Nas últimas semanas, a discussão em torno da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) esteve concentrada em pautas como liberdade de expressão e os desdobramentos do 8 de janeiro. Entretanto, o cenário começou a mudar quando o conteúdo do parecer da Advocacia-Geral da União sobre aborto, assinado por Messias, passou a circular com mais clareza entre parlamentares.
O parecer foi assinado por Messias em junho de 2024 na ADPF 1141 (movida pelo PSOL contra resolução do CFM nº 2.378/2024). O CFM havia proibido a assistolia fetal (injeção de cloreto de potássio no coração do feto) em gestações acima de 22 semanas nos casos de aborto legal por estupro. A AGU defendeu que essa resolução é inconstitucional porque:
O Código Penal (art. 128, II) permite o aborto nesses casos sem limite de idade gestacional — a lei prioriza o consentimento da gestante e não faz distinção de viabilidade do feto.
O CFM estaria “legislando” (criando nova regra), o que cabe só ao Congresso.
A morte do feto é “elemento indissociável” do aborto previsto em lei (citação do próprio parecer, baseada em jurisprudência anterior do STF).
No documento, Messias frisa explicitamente que não entra em questões morais, políticas ou religiosas. Em maio de 2025, o procurador-geral Paulo Gonet emitiu parecer favorável à restauração da resolução do CFM, argumentando que o art. 128 do CP é excludente de ilicitude, não “direito subjetivo” ao aborto. Ou seja, Gonet disse que o aborto nesses casos é permitido pela lei (não é punido), mas não é um direito que a mulher pode exigir do Estado em qualquer momento da gravidez. Isso mudou o tom no STF e deu munição extra aos críticos de Messias.
A surpresa e o dilema sem saída
Segundo relatos de bastidores, senadores se disseram surpresos após terem acesso ao editorial publicado em A Investigação nesta segunda-feira, 13, em que o site denuncia o documento assinado por Messias como um “parecer satânico” que defende a assistolia fetal até o momento do parto, acusa-o de chancelar a morte de bebês viáveis por injeção letal no coração e questiona sua imagem de diácono evangélico pró-vida.
Muitos senadores afirmaram que não tinham conhecimento desse ponto específico. A partir daí, lideranças da frente parlamentar evangélica passaram a cobrar explicações diretamente. Em conversa com uma dessas lideranças, Messias teria chorado copiosamente ao ser cobrado pelo teor do parecer. Segundo relato, ele admitiu que não leu integralmente o documento antes de assiná-lo e manifestou arrependimento.
A partir daí, Messias se encontra numa verdadeira escolha de Sofia argumentativa:
Se Messias estiver mentindo: então sabia do que se tratava e assinou mesmo assim. Nesse caso, terá de sustentar, durante a sabatina no Senado, o seu voto favorável a um procedimento que consiste em injetar substância no coração de bebês viáveis, formados e capazes de sentir dor — método que, sob esse argumento, é apontado como vedado por crueldade até em animais.
Se Messias estiver falando a verdade: então assinou sem ler uma decisão dessa magnitude. Nesse caso, o problema deixa de ser apenas de posição e passa a ser de capacidade. Quantos outros pareceres podem ter sido assinados sem leitura na AGU?
A campanha a favor de Messias
Um dos maiores cabos eleitorais de Messias é o ministro André Mendonça, que já declarou publicamente apoio à sua aprovação. Segundo relatos, o próprio ministro, que é pastor presbiteriano, estaria ligando pessoalmente para senadores — inclusive da oposição — para pressionar pela aprovação de Messias na sabatina do próximo dia 29.
A campanha por Messias no STF conta com lideranças evangélicas próximas de Bolsonaro. Uma delas é o pastor Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra, que tem declarado que Messias é “extremamente capacitado” e um “cristão comprometido”. Ainda em janeiro, Rodovalho fazia outra campanha: pela indicação de Tarcísio de Freitas, e não por Flávio Bolsonaro, para presidente em 2026. Segundo ele, a chapa Tarcísio-Michelle Bolsonaro seria “imbatível”.
Silas Malafaia, líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, outro pastor que também fez campanha ferrenha pela indicação de Tarcísio, disse à CNN não entrar no mérito sobre ter um segundo evangélico no STF, mas diz que não há nada que desabone Jorge Messias.
“Minhas divergências com Jorge Messias são no campo ideológico. Eu não tenho nada pessoal contra ele, não vi até aqui nada moral contra a vida dele. A minha questão é ideológica só. Eu aprendi uma coisa: eu posso discordar, eu posso até criticar, mas é uma indicação de competência do presidente da República”, afirmou.
Lideranças evangélicas ainda articulam levar uma comitiva de pastores ao Senado para reforçar a pressão. O plano, que já circulava desde dezembro de 2025, é levar um grupo expressivo de líderes de igrejas para acompanhar a sabatina do dia 29 e fazer corpo a corpo com senadores, mostrando força política e alertando que a rejeição de Messias pode gerar desgaste eleitoral junto ao eleitorado evangélico.
Segundo o site criado pelo deputado Gustavo Gayer (PL-GO), o placar atual é de 24 senadores contra, 31 indecisos e 26 a favor. Um a mais desde o editorial de A Investigação. O senador Carlos Viana (PSD-MG) sinalizou que vai votar contra a indicação de Jorge Messias ao STF. Para termos certeza absoluta de que a indicação de Jorge Messias não passa, são necessários pelo menos mais 17 senadores indecisos declarando publicamente que vão votar contra.
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Agora um grupo de "pastores" vai ao Senado apoiar essa geringonça. Na Câmara, não existe a bancada evangélica? A bancada do Agro? Pelo que vi, isso soma em torno de 308 deputados. Pois bem: por que é que essas bancadas não protegeram seus próprios setores quando foram aviltados? Por que projetos que defendem a família, a educação, não são aprovados? Só não vê quem não quer. Aliás, para os desavisados, apenas 5,07% (26) foram eleitos pelo voto direto, em 2022. O resto pelo quociente eleitoral. A pergunta que não cala é: você, eleitor, acha mesmo que é representado?
Já passou da hora das pessoas entenderem que o Poder NÃO EMANA DO POVO! E se quiserem retomar o Poder, terão que abrir mão de suas vidas.
Esse País é uma piada. E ainda tem quem ache que existem "instituições democráticas". Primeiro que instituição não pode ser democrática: apenas seus procedimentos. Estes, executados por pessoas. Àqueles (quem ache...), desejo boa sorte.