Em 26 de setembro, à 0h13, poucas horas depois da publicação da nossa reportagem sobre a campanha falsa que usou Nossa Senhora Aparecida contra Flávio Bolsonaro, Tauat Augusto da Cunha Resende Oliveira nos enviou uma notificação extrajudicial. No e-mail, deu 24 horas para A Investigação retirar seu nome, seu vínculo com o Ministério Público do Rio de Janeiro e os links para seu perfil. Também exigiu a retirada do post no X que divulgou a reportagem.
Consideramos as exigências uma tentativa de intimidação. Incluímos as justificativas de Tauat na matéria, mas manteremos a reportagem e o post no ar. Primeiro, porque ele ocupa um cargo público e como tal está sob escrutínio público. Tauat é assessor comissionado da Procuradoria-Geral de Justiça do Rio, designado para prestar assessoramento à 1ª Promotoria Criminal de Barra Mansa, titulada pelo promotor Marcelo Abramovitch.
Segundo, porque sua postagem foi incorporada à coluna do JOTA como fonte para os “rumores” sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Sua postagem sobre uma disputa eleitoral foi feita em uma conta até então aberta.
Não o acusamos de criar o boato ou comandar outras contas. Identificamos suas manifestações no debate eleitoral, seu cargo e o caminho pelo qual uma delas foi citada na coluna do JOTA. Seu contraponto já está na reportagem. Apagar seu nome desses fatos não é uma correção.
Publicamos junto desta nota a duas postagens de Tauat para que os leitores avaliem o conteúdo e a evolução de sua narrativa.
Na primeira, feita às 12h47 de quinta-feira, 24 de setembro, ele usou um projeto de lei rejeitado e arquivado em 2008 para advertir católicos sobre uma possível pressão contra o título de Nossa Senhora Aparecida.
Na segunda, publicada às 14h01 de sexta-feira, 25 de setembro, reconheceu que a GloboNews havia se corrigido e que não existia projeto atual. Ainda assim, voltou a falar em suposta pressão de pastores da base de Flávio Bolsonaro, atribuindo a alegação a “muitos” que não identificou.
Sua notificação extrajudicial, no entanto, nos alertou para outro fato relevante. Uma das publicações de sua conta consta da lista incluída por André Mendonça na ordem de retirada de postagens que apresentassem como fato a suposta intenção de Flávio de mudar o título da padroeira.
Mendonça definiu como “notoriamente inverídico” apresentar como fato que Flávio ou sua família propôs, apoiou ou pretende retirar o título da padroeira. Mandou tornar indisponíveis as publicações listadas que reproduzissem essa alegação. Assim, uma postagem de Tauat entrou no alcance da ordem judicial.
Na carta, Tauat alega que não aparece no gráfico divulgado por Flávio e nega ligação com as demais contas. O gráfico acompanha principalmente a circulação posterior ao comentário da GloboNews. O vínculo documentado na reportagem é outro: o perfil @otavi0XI mostrou que a palavra “rumores”, na coluna do JOTA, remetia ao primeiro tuíte de Tauat.
Após a repercussão, o perfil de Tauat deixou de estar acessível no X. Os registros das postagens permanecem. Os horários das duas publicações também merecem esclarecimento: elas foram feitas durante o horário de trabalho de Tauat no MPRJ?
Precisamos de você
Reportagens como esta têm custo. Além do trabalho de apuração, há toda uma estrutura técnica que permite publicar sem depender de anunciante ou de padrinho político.
Você já sabe o que A Investigação entrega: fizemos o Twitter Files Brasil, a Vaza Toga 2, 4 e 5, o Araponga de Miami, o Radiolão e várias outras investigações que trouxeram à luz o que outros veículos preferiam não ver.
Fazemos isso de forma independente — e independência tem preço.
Leia a reportagem completa:
Criador do Dilma Bolada fez o primeiro post da campanha falsa sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora
Em 24 de setembro de 2026, perfis ligados à militância de Lula transformaram em campanha digital a alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A história havia começado a circular no X na noite anterior, sem proposta do senador nem manifestação dos evangélicos apontados como interessados…








