Projeto quer levar informática e impressão 3D a crianças do subúrbio de Salvador
Iniciativa criada pelo IRSEBA busca recursos para comprar impressoras, computadores e insumos destinados a oficinas com alunos de 6 a 12 anos.
Um projeto pretende usar impressão 3D para ensinar noções básicas de informática a crianças atendidas pelo Instituto de Referência Social do Estado da Bahia (IRSEBA), em Alto de Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador. A proposta é transformar desenhos e ideias dos alunos em objetos físicos enquanto eles aprendem a pesquisar, organizar arquivos e operar programas simples.
Batizada de Projeto Abrindo Janelas, a iniciativa foi criada pelo influenciador Jimmy Gresik, um dos fundadores do canal Visão Pátria, em parceria com a instituição. A campanha de financiamento coletivo foi aberta em 27 de julho e busca recursos para a compra de impressoras 3D, computadores, monitores e materiais de consumo.
Na consulta feita nesta terça-feira (28), a página registrava R$ 670 arrecadados. Gresik afirma que o projeto precisará alcançar R$ 43 mil para reunir os equipamentos e insumos considerados necessários ao início das oficinas.
A impressão 3D é uma forma de fabricação na qual um programa divide um modelo digital em sucessivas camadas, depositadas pela máquina até formar o objeto. No ambiente escolar, sua utilidade não está apenas no fascínio provocado pela impressora, mas no processo que vem antes dela.
Ao criar um modelo, a criança precisa pensar em formas, dimensões, proporções e posição dos elementos. Depois, pode comparar o projeto digital com o resultado físico, identificar falhas e corrigir o desenho. O mesmo exercício reúne noções de informática, geometria, raciocínio espacial e solução de problemas.
Mais do que ver uma máquina funcionando
As oficinas serão oferecidas a crianças de 6 a 12 anos, em turmas pequenas, com duração prevista de um ou dois dias. A proposta combina uma apresentação teórica curta com atividades práticas, sem transformar o primeiro contato dos alunos com a tecnologia em uma sequência de termos técnicos.
O conteúdo inclui noções de interface gráfica, organização de pastas e arquivos, cópias de segurança, uso de dispositivos externos, pesquisas na internet e funcionamento dos programas empregados na modelagem e na impressão 3D.
Na etapa prática, cada criança poderá desenhar ou indicar um personagem, animal, brinquedo ou outro objeto de sua preferência. A ideia será convertida em um modelo digital e depois impressa. Ao final, o aluno receberá a peça produzida durante a atividade.
“Eles verão o que imaginaram ou desenharam tomando forma no mundo real”, afirma Gresik na apresentação do projeto.
Parte das impressoras será apresentada durante a oficina para que os alunos conheçam as diferenças entre os equipamentos e acompanhem a fabricação das peças. Segundo o projeto, as máquinas ficarão protegidas por uma estrutura com porta de vidro, para impedir o contato das crianças com componentes móveis e superfícies aquecidas.
A campanha afirma que o Projeto Abrindo Janelas poderá beneficiar mais de 400 alunos.
Nove impressoras e pelo menos oito computadores
O projeto pretende comprar nove impressoras 3D de configurações diferentes, incluindo modelos que trabalham com filamento e uma máquina que utiliza resina. O plano inclui ainda pelo menos oito computadores, monitores, placas de vídeo e materiais como filamentos, peças de reposição e produtos necessários ao funcionamento das impressoras.
O componente ambiental será apresentado às crianças durante as oficinas. Elas deverão conhecer materiais usados na impressão, possibilidades de reaproveitamento e limitações da reciclagem. A compra das máquinas necessárias para transformar embalagens PET em filamento, no entanto, depende de a arrecadação ultrapassar as etapas consideradas prioritárias.
De acordo com a campanha, todos os equipamentos comprados serão incorporados ao patrimônio do IRSEBA. A instituição poderá utilizá-los com alunos e professores e, posteriormente, em cursos de informática destinados a moradores da região.
Duas décadas de atuação do IRSEBA
O IRSEBA foi fundado em agosto de 2005 e funciona em Salvador, capital da Bahia. A organização se apresenta como uma entidade sem fins lucrativos voltada à educação e à assistência social de crianças, adolescentes e famílias. Documentos da Secretaria Municipal de Educação também incluem o IRSEBA entre as instituições parceiras da Prefeitura de Salvador.
O instituto mantém educação infantil, ensino fundamental, atividades socioeducativas, cursos profissionalizantes e acompanhamento biopsicossocial. Também atende crianças com transtorno do espectro autista, síndrome de Down, TDAH, dislexia e outras necessidades específicas.
Como colaborar
Pessoas e empresas podem contribuir em dinheiro, equipamentos ou insumos. A campanha também oferece a inclusão do nome ou da logomarca dos apoiadores na lista de patrocinadores, independentemente do valor doado.
Com R$ 670 arrecadados até 28 de julho, o projeto havia alcançado cerca de 2,5% da meta de R$ 27 mil exibida pela plataforma e 1,6% dos R$ 43 mil apontados como necessários para iniciar as oficinas.
As contribuições são recebidas pela página do Projeto Abrindo Janelas.







