Plataformas derrubam perfis de Monark enquanto permitem que impostores explorem seu nome
YouTube, Instagram e X restringiram contas oficiais de Bruno Aiub, mas perfis que usam seu nome, imagem e marca continuaram ativos — alguns com assinantes pagantes.
No domingo de, 26 de abril de 2026, Bruno Aiub anunciou o retorno. Novo canal no YouTube, nome diferente — "Bruno Aiub Show" em vez de "Monark", nome pelo qual ficou conhecido durante a sua trajetória no Flow. No vídeo, havia apenas uma apresentação do estúdio e a promessa de retomar conversas. Quatro dias depois, o canal foi derrubado.
Segundo a defesa, a plataforma alegou genericamente violações das Diretrizes da Comunidade, detectadas por sistemas automatizados e revisão humana. O canal, recém-criado, tinha publicado apenas um vídeo de apresentação do estúdio. Não havia entrevista. Não havia transmissão ao vivo. Não havia fala nova sobre política, eleições ou qualquer outro tema que costuma acionar os sensores das plataformas.
A defesa informou que, até onde tinha conhecimento, não havia ordem de censura vigente contra Bruno Aiub nos inquéritos em tramitação no STF. As ordens anteriores contra seus perfis — segundo nota assinada pelo advogado Hugo Freitas, que representa Aiub por meio da Free Speech Union Brasil1—, haviam sido revogadas por Alexandre de Moraes em 5 de fevereiro de 2025, às vésperas da visita ao Brasil da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da CIDH/OEA.
A decisão, portanto, não apareceu como cumprimento de nova ordem judicial. Apareceu como decisão interna da plataforma. Nos dias seguintes, a derrubada virou cascata. O Instagram bloqueou o perfil @monarkreal. O X removeu o @ brunomaiub. Em menos de duas semanas, Aiub havia perdido acesso às três principais vitrines digitais do país.
Mas ele não estava exatamente fora das plataformas. Ironicamente, o nome, a imagem, a marca e a audiência continuavam circulando nas redes sociais. Enquanto as contas oficiais eram derrubadas, perfis de terceiros usando “Monark”, “Bruno Aiub” e “Bruno Aiub Show” permaneciam ativos no YouTube, no Instagram, no Threads e no X. Em pelo menos um caso, com assinantes pagantes. A regra derrubava o dono da identidade, mas deixava espaço para quem explorava sua ausência.
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Aiub afirma ver motivação política nos banimentos. “É evidente que há uma perseguição política dentro das empresas de redes sociais aqui no Brasil. Não sei se isso vem das empresas internacionalmente, mas existe um grupo político dentro dessas empresas, em áreas de direção, com viés político, que está me censurando”, disse à reportagem de A Investigação.
“Vários canais fakes se passam por mim, podem monetizar e usar meu conteúdo, mas eu não posso. Então é perseguição. Só o X liberou agora, depois de muita luta e depois de conseguirmos falar com o advogado da plataforma. Eu venho sofrendo uma perseguição há anos, em várias esferas. É a ditadura tecnopolítica que a gente está vivendo”, acrescentou.
Os falsos que ficaram
Enquanto o canal oficial Bruno Aiub Show caía, uma rede de canais e perfis usando variações do nome “Monark” continuava ativa.
No YouTube, A Investigação identificou ao menos dez canais em funcionamento usando o nome, a marca ou a identidade do podcaster: @brunoaiubeshow, @brunoaiubshowoficial, @mornakc, @brunoAiubShowpodcast, @clipsbrunoaiubshow, @BrunoAiubShowCortes-k1e, @brunoaiubshowfans, @BAClips-BrunoAiub, @cortesdoaiub e @brunoaiubshowcorte. A Investigação também encontrou perfis semelhantes no Instagram, no TikTok e no X.
Alguns se apresentam como canais de cortes. Outros usam nomes que simulam oficialidade. Quem procura o nome Monark no YouTube encontra contas que não são dele.
Vale notar: o @monark — conta no X com 1,2 milhão de seguidores, também de Bruno Aiub — continua retida no Brasil por ordem judicial, exibindo a mensagem “@monark has been withheld in BR in response to a legal demand


”. E o @monarkoficial no Instagram, com quase 560 mil seguidores, segue bloqueado com a mensagem “Conta não disponível em Brasil — estamos acatando uma ordem judicial para restringir esse conteúdo”. São bloqueios por determinação judicial, não por políticas internas da plataforma.
O YouTube derrubou os canais oficiais associados a Bruno Aiub, incluindo @Monark, @MonarkTalks, @MonarkGameplay e @BrunoAiubShow. Mas canais de terceiros continuaram acessíveis.
O impostor que cobrava assinatura
Na mesma semana em que o X derrubou a conta oficial @brunomaiub, um perfil identificado como @Brunoaiubshow continuava ativo. A conta não pertencia a Bruno Aiub. Mesmo assim, usava o nome do novo projeto e estava elegível para receber assinaturas pagas por meio do recurso Subscriptions.
Em 7 de maio, Eli Vieira, jornalista e presidente da Free Speech Union, alertou publicamente que o perfil não era de Aiub. Naquele momento, a conta tinha pelo menos 38 assinantes pagantes. Ou seja: usuários estavam pagando para uma conta que aparentava ligação com Bruno Aiub, enquanto a conta real havia sido derrubada.
Aiub precisou desmentir em vídeo: “O Bruno Aiub Show que está postando aí não sou eu.” A frase resume o absurdo. O verdadeiro Bruno Aiub precisava provar que não era o Bruno Aiub que a plataforma mantinha no ar. Só aí o perfil do impostor mudou as informações da conta e passou a se apresentar como “perfil de fã”. Antes disso, porém, havia publicado comentários em primeira pessoa, como se fosse o próprio Monark. Não houve pedido público de desculpas.
O resultado é uma espécie de mercado paralelo da identidade de Aiub. O dono do nome é instável demais para as plataformas. Os falsos, aparentemente, são administráveis.
A única conta recuperada
O X foi a única rede social a reverter parcialmente a queda. Quando Bruno Aiub comunicou à FSU Brasil que o X havia derrubado o @brunomaiub, Eli Vieira atuou diretamente junto à plataforma. Em 8 de maio, publicou: “Ajudei o Monark ontem a liberar essa conta. Bom ver que deu resultado.”
No dia seguinte, a FSU Brasil confirmou oficialmente: “#MonarkLivre no X! Com a ajuda da Free Speech Union Brasil, o apresentador recuperou a sua conta no X.” A conta recuperada, porém, não era exatamente a original. Tem um caractere a mais no nome: @BrunoMAiub, não @brunomaiub. O perfil original permanece derrubado.
A FSU Brasil também atuou na frente jurídica da ação civil pública do MPSP contra Aiub, junto com a FALE, Frente de Advogados pela Liberdade de Expressão. Essa frente ajudou a sustentar a defesa que levou o próprio Ministério Público, em março de 2026, a reconhecer que as falas de Aiub não configuravam apologia ao nazismo e a pedir a improcedência da ação de R$ 4 milhões.
A vitória, porém, durou pouco. Dias depois, a chefia interina do MPSP, ocupada por Plínio Antônio Britto Gentil — procurador ex-candidato a deputado federal pelo PSOL e a vice-prefeito pelo PT — cancelou a escala do promotor Marcelo Otavio Camargo Ramos, autor da manifestação favorável a Aiub. A posição do MP foi então revertida por Ricardo Manuel Castro, promotor com histórico de atuação em casos politicamente sensíveis, que classificou a manifestação anterior como “equivocada” e retomou o pedido de condenação.
Banido de tudo
Desde 2022, a presença digital de Bruno Aiub tem sido marcada por processos, bloqueios, multas e inquéritos. O episódio original foi o Flow Podcast #545, em fevereiro daquele ano, quando defendeu, em uma discussão sobre liberdade de expressão, que um partido nazista pudesse ser legalizado no Brasil e que alguém pudesse ser “antijudeu”. A fala gerou reação imediata, perda de patrocinadores e sua saída dos Estúdios Flow.
Depois disso, a situação escalou. Em 2023, o ministro Alexandre de Moraes proibiu Aiub de publicar conteúdos classificados como fake news sobre eleições e STF, sob multa diária. Em agosto do mesmo ano, após descumprimento apontado nos autos, Moraes determinou bloqueios em várias plataformas e bloqueio de contas bancárias via Banco Central. A multa chegou a R$ 300 mil.
Aiub também foi incluído em inquéritos relacionados ao 8 de janeiro e à desobediência de decisões judiciais. Em outra frente, foi condenado por injúria por chamar Flávio Dino de “gordola”. No MPSP, responde à ação civil pública de R$ 4 milhões por dano moral coletivo em razão das falas sobre nazismo.
David Ágape, autor desta reportagem, é diretor de comunicação e co-fundador da Free Speech Union Brasil





