Exclusivo: localizamos Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, em Miami. Carro utilizado expõe ligação com cobertura de luxo
Considerada “não localizada” pelas CPIs, Martha circula normalmente em Miami. Registros oficiais do veículo levam a cobertura alugada por Vorcaro por meio de "empresa fantasma".
Quarta-feira, 26 de março de 2026, 15h. Call me Gaby, restaurante em Miami Beach. Martha Graeff, 40 anos, ex-namorada de Daniel Vorcaro e peça-chave nas investigações sobre o Banco Master, almoçava tranquilamente acompanhada do pai, Tomas Graeff, e de uma mulher identificada como sendo sua madrasta Marcia. Cabelo solto, roupas casuais, conversando normalmente. O restaurante fica a cerca de 15 minutos da residência do ex-companheiro de Martha, o ex-jogador da NBA Rony Seikaly, na Lake Avenue, em Miami Beach.
Martha chegou dirigindo uma Land Rover 2023 — SUV preto avaliado acima de US$ 100 mil. O registro no Departamento de Veículos da Flórida, obtido pela reportagem, indica o carro em seu nome. A Investigação também apurou que o veículo pertencia anteriormente à empresa Rony Seikaly Productions LLC, ligada ao ex-marido de Martha, e foi transferido para seu nome por determinação judicial no âmbito de processo de dissolução de união registrado no Miami-Dade County Courts. Os termos do acordo são sigilosos.



Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o relacionamento entre Martha e Seikaly era marcado por conflito. Em janeiro de 2025, após um episódio envolvendo contato do ex-jogador com a filha, Martha relata incômodo e sugere a preparação de um dossiê. Vorcaro responde que já havia iniciado providências e menciona a possibilidade de mobilizar até US$ 50 milhões em advogados e produção de material contra Seikaly. Em seguida, Martha concorda com a linha e fala em “dar um susto”. As conversas também incluem a hipótese de exposição pública de informações como forma de influenciar o processo de guarda.
Segundo os registros oficiais, o veículo está vinculado ao endereço 9111 Collins Ave PH 4, em Surfside. Este é o endereço da cobertura no Four Seasons Surf Club, um dos empreendimentos mais caros de Miami-Dade. O imóvel foi alugado por meio da Ocean View Capital Management — empresa sem registro corporativo identificável nos principais estados americanos e sem presença formal conhecida —, e pago de forma antecipada para todo o período. Em mensagens obtidas pela CPMI do INSS, ao receber o contrato, Martha questiona a estrutura; Vorcaro responde que se trata da empresa responsável pela locação e solicita seus dados para incluí-la como residente.
Martha estava oficialmente “desaparecida” havia 43 dias. Convocada para depor na CPMI do INSS em 23 de março e na CPI do Crime Organizado do Senado em 25 de março, não compareceu a nenhuma das sessões. Segundo a Agência Pública, as comissões registraram que ela “não foi localizada”.
Mas ela estava em Miami Beach, em um restaurante público de uma das áreas mais movimentadas da cidade, um dia após ignorar a segunda convocação. Enquanto isso, 1,6 milhão de brasileiros aguardam notícias sobre o destino de suas economias no colapso do Master.
Martha Graeff foi contatada por esta reportagem via redes sociais. Até o fechamento desta edição, não respondeu. O espaço segue aberto para manifestações.
Quem é Martha Graeff
Martha Gonçalves Graeff nasceu em 23 de agosto de 1985, em Porto Alegre. Mora em Miami há aproximadamente 20 anos. Modelo, empresária e criadora de conteúdo no segmento de saúde e bem-estar. É também ex-repórter do Domingão do Faustão na Rede Globo. Martha Graeff foi perfilada pela Forbes Brasil em reportagem sobre sua atuação no mercado de bem-estar, onde passou a promover o conceito de “happy aging” (envelhecimento feliz), nome também da marca que fundou. A influenciadora também é fundadora do The Bazaar For Good, plataforma voltada para ações beneficentes.
Martha tem uma filha de 6 anos, fruto do relacionamento com o ex-jogador da NBA greco-libanês Rony Seikaly, que defendeu Miami Heat, Golden State Warriors e Orlando Magic entre 1988 e 1999.
No Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 2026, o empresário Tomas Graeff publicou mensagem de apoio à filha em suas redes sociais. Acompanhada de fotos de Martha na infância e já adulta, a postagem declarava “apoio incondicional” e afirmava que ela vinha sofrendo “injustiça, ódio e violência sistêmica” desde a exposição pública do caso. “As lágrimas derramadas pela injustiça, ódio e violência sistêmica que vem sofrendo irão regar as flores mais bonitas da terra”, escreveu. Os comentários foram limitados aos seguidores de Tomas.


Desde o início de março, quando as mensagens com Vorcaro vazaram, Martha interrompeu suas publicações no Instagram. O perfil, que até então mantinha rotina regular de conteúdos sobre estilo de vida e bem-estar, permaneceu sem atualizações mesmo diante da crescente repercussão do caso. Martha também removeu referências à marca Happy Aging de sua biografia e desativou os comentários em suas postagens.
Paradoxalmente, o número de seguidores saltou de cerca de 600 mil para aproximadamente 712 mil em poucas semanas. No dia da segunda prisão de Vorcaro, 4 de março, Martha ainda havia publicado nos Stories do Instagram um anúncio publicitário para uma marca de roupas esportivas, mas desde então não voltou a fazer novas postagens. Martha retomou, ontem (30), publicações nos Stories do Instagram com fotos de sua família.
Frequentadora do circuito de alto padrão de South of Fifth, região de Miami Beach conhecida por residentes estrangeiros de alta renda, Martha já foi fotografada em outros restaurantes italianos da área, como o Forte dei Marmi, onde apareceu ao lado de Ivanka Trump — com quem mantém contato direto, segundo mensagens apreendidas pela Polícia Federal.
Até novembro de 2024, era apenas mais uma influenciadora brasileira morando na Flórida. Depois que a PF apreendeu o celular de Vorcaro e extraiu mensagens trocadas com Martha, ela virou peça central de investigação que envolve R$ 5 bilhões desviados e US$ 170 milhões escondidos em estruturas offshore.
A partir daí, a questão deixou de ser sua presença no caso e passou a ser seu grau de envolvimento.
As mensagens comprometedoras com Vorcaro
Após o vazamento das mensagens entre Martha Graeff e Daniel Vorcaro, iniciou-se uma discussão sobre os limites entre interesse público e privacidade. Parte da reação — incluindo críticas do ministro Gilmar Mendes — classificou a divulgação como exposição indevida de uma pessoa não diretamente ligada ao caso. Martha afirmou ter sido “linchada, cancelada e vulgarizada” após a repercussão. As próprias conversas, no entanto, revelam elementos que vão além da esfera íntima e se conectam a decisões patrimoniais, estruturas financeiras e ao padrão de vida mantido ao longo do relacionamento.
Em dezembro de 2024, já com Vorcaro sob investigação, pessoas próximas a ele solicitaram o passaporte brasileiro de Martha. Ela questionou o motivo: “Amor, por que a Lori e Leo estão me pedindo meu passaporte brasileiro?”. A resposta veio em seguida: “Amorrr, pra abrir o trust”. O momento coincide com o avanço das apurações da Polícia Federal em Rondônia. A suspeita dos investigadores é que a estrutura tenha sido criada para blindar patrimônio diante de eventual bloqueio judicial.
Sete meses depois, em julho de 2025, Martha afirma ter descoberto por conta própria o conteúdo do trust ao pesquisar no ChatGPT. O documento indicava que ela seria beneficiária de 100% dos ativos, avaliados em mais de R$ 520 milhões. A reação registrada nas mensagens é de surpresa: “Eu nunca tive nada no meu nome. Ainda estou trabalhando pra comprar uma casa. Isso é muito. Essa casa com meu nome assim. Eu nem consigo entender amor desculpa”.
A defesa de Martha, advogado Lúcio de Constantino, usou exatamente essa troca para sustentar que ela desconhecia o esquema. Mas há um problema: Martha descobriu em julho de 2025 e continuou no relacionamento. Além disso, em maio de 2024, meses antes dessa descoberta, Martha já participava de discussões sobre a compra de imóveis de alto padrão em Miami com mecanismos de ocultação. Ao questionar se a aquisição geraria exposição, recebeu como resposta: “Não vão saber não”, seguido de “Já bolei um jeito” e “Vai aparecer um amigo russo”. A reação foi de risos: “Hahahahaha”. No mesmo período, enviou a Vorcaro o perfil de uma corretora especializada em mansões de luxo.
Em janeiro de 2025, a Goldbeach Properties LLC — registrada em Delaware — adquiriu uma mansão de 20.500 pés quadrados na 4445 Sabal Palm Road, no condomínio fechado de Bay Point, por US$ 85,2 milhões, estabelecendo o recorde de venda do bairro. Um mês depois, a mesma empresa comprou o imóvel do lado oposto da rua por US$ 6,9 milhões.
O site The Real Deal de Miami identificou Vorcaro como beneficiário real das estruturas. A conexão com Martha aparece nos documentos do trust apreendidos pela Polícia Federal no celular de Vorcaro, que a listam como beneficiária de 100% dos ativos — incluindo, segundo fontes ouvidas pela imprensa, a mansão em Bay Point.
Outro ponto investigado envolve a origem dos recursos da empresa Happy Aging. Em mensagens de setembro de 2024, Martha associa diretamente o projeto a Vorcaro: “Pra eu te explicar o que é a happy aging” e, posteriormente, “obrigada por fazer a Happy Aging nascer comigo”. A marca foi lançada em 17 de outubro de 2024, um evento de alto padrão no Vizcaya Museum & Gardens. Segundo fonte que esteve presente, o evento teve cerca de 200 convidados em jantar sofisticado, perfil de público predominantemente de alta visibilidade social, produção elaborada — e Daniel Vorcaro estava presente. A Polícia Federal apura se houve aporte financeiro de Vorcaro na marca e, em caso positivo, a origem desses recursos.
Segundo fontes, Martha já afirmou que, em pouco tempo de relacionamento, recebeu de Vorcaro mais joias do que ao longo de todo o casamento anterior. Entre os itens mencionados estariam colares de diamantes.
A cobertura em Surfside
A defesa de Martha sustenta que ela não acumulou patrimônio durante o relacionamento com Vorcaro. Em 19 de março de 2026, seu advogado, Lúcio de Constantino, afirmou à GloboNews que Martha mora de aluguel e que seu patrimônio foi construído em 20 anos de trabalho nas redes sociais.
Os registros indicam outro quadro. Entre outubro de 2024 e fevereiro de 2026, Martha residiu na cobertura N-PH4 do Four Seasons Residences at The Surf Club, no endereço 9111 Collins Ave, Surfside, FL 33154 — um dos trechos de litoral mais valorizados da costa leste dos Estados Unidos, encravado entre Miami Beach e Bal Harbour.




O complexo foi projetado por Richard Meier, arquiteto vencedor do Prêmio Pritzker, e incorporou a estrutura histórica do Surf Club de 1930 — clube privativo fundado pelo magnata Harvey Firestone e frequentado por Winston Churchill, Frank Sinatra, Elizabeth Taylor e o Duque de Windsor. O projeto original de Russell T. Pancoast foi tombado como patrimônio histórico. Em março de 2026 — mesmo mês em que Martha deixou o imóvel —, o The Real Deal confirmou que uma penthouse do mesmo edifício encontrou comprador por US$ 50 milhões.
A unidade N-PH4, onde Martha residiu, tem 677 m² distribuídos em três andares integrados — cinco quartos, nove banheiros, piscina privativa de 75 pés no terraço superior, academia própria, spa, sala de yoga, cabana com acesso direto à praia e garagem privativa. Registros do site Realtor apontam que a unidade foi vendida em março de 2024 por US$ 48 milhões, a US$ 6.587 por pé quadrado — um dos valores mais altos já registrados no condado de Miami-Dade.
Que Martha de fato residiu no endereço é confirmado por camadas sobrepostas de evidência: pela mensagem que ela mesma enviou a Vorcaro em fevereiro de 2025, citando o endereço completo; por registros do Departamento de Veículos da Flórida (FLHSMV), que apontam 9111 Collins Ave PH 4, Surfside FL 33154 como endereço físico e postal de Martha, vinculado a um Land Rover 2023 de sua propriedade; e pela nota da própria defesa, que afirmou que ela "mora de aluguel" — sem contestar o endereço específico.
O contrato de locação foi formalizado em nome da Ocean View Capital Management. Buscas nos sistemas públicos de registro corporativo não retornaram cadastro ativo, endereço físico, site ou licença vinculados à empresa no contexto do caso. A existência da estrutura foi revelada por mensagem de 28 de outubro de 2024: ao receber os documentos do contrato, Martha perguntou a Vorcaro "O que é a Ocean View?". Ele respondeu "Empresa que alugou, amor" e, em seguida, solicitou seu documento americano para incluí-la formalmente como moradora. O pagamento foi quitado antecipadamente — valor integral do período em uma única operação, não mês a mês.
O padrão repete o adotado nos demais imóveis do portfólio de Vorcaro nos Estados Unidos: empresas sem lastro público visível operando como titulares de contratos e propriedades.




