Nesta quinta-feira, 27, fui ao ar na Auri Verde Brasil para falar da Carta Anticensura dos Candidatos à Eleição de 2026, lançada pela Free Speech Union Brasil (FSU-BR) em parceria com o grupo Utopia Brasil, do roteirista Newton Cannito. A live do programa passou de 180 mil visualizações só no YouTube.
A carta não é um programa de governo. É um compromisso negativo, por escrito: se eleito, o signatário não propõe, não expede, não sanciona, não vota a favor e não promove norma ou ato administrativo que crie ou reforce restrição à expressão — política, ideológica, intelectual, artística, humorística, científica, religiosa ou de interesse público.
No ar, expliquei que criminalizar o que fere o ego é instinto. Todo mundo tem o seu. O meu, o seu, o do deputado que assina e o do que recusa. Liberdade de expressão só existe quando vale para o discurso que se despreza. É fácil defender a fala de quem a gente aplaude. O teste é o outro. Quando calamos o que não gostamos, chega a hora em que nos calam pelo que eles não gostam.
Por que agora
O período eleitoral é a janela em que o compromisso ainda tem preço. É quando o candidato promete até a mãe para conseguir um voto. Depois da urna, o recado muda: ele já se considera eleito. A carta existe para, mais adiante, ser possível dizer: você assinou o nome ali. Disse que não ia criar lei censoria. E agora está censurando.
O prazo não se encerrou. Candidato que quiser entrar na lista procura a FSU pelo e-mail queroassinar@fsu.org.br, com alguma forma de autenticação. Já ouvi eleitor dizer que só vota em quem estiver nesse compromisso. Um pré-candidato me perguntou se isso dá voto. Talvez não tanto quanto ele gostaria. Mas algum voto de quem se preocupa com censura, dá.
A carta não substitui o voto. Serve para uma coisa mais rara neste país: deixar por escrito, antes da urna, o que o candidato diz que não fará com a boca dos outros.
O que o candidato assina
O texto integral está mais abaixo e em fsu.org.br/anticensura. Em cinco eixos, o signatário se recusa a apoiar:
Critérios vagos — ódio, aversão, dano emocional, risco ao Estado democrático de direito, higidez do processo eleitoral e fórmulas parecidas, que geram chilling effect: o cidadão se autocensura e a plataforma remove preventivamente.
Estado no mercado de ideias — criminalizar correntes; publicidade estatal seletiva; editais e leis de incentivo enviesados; forçar boicote, desmonetização ou banimento por linha ideológica; punir fake news ou desinformação sem vítima individualizável; destruir livros ou proibir shows como pena.
Autonomia artística e ficcional — não imputar ao autor a fala do personagem; não tratar sátira e ficção com o teste de desinformação do jornalismo; não retirar obra só por ser ofensiva ou politicamente incorreta.
Blindagem de autoridades — não tornar a crítica a autoridade juridicamente pior do que a crítica a particular; não criar estrutura estatal para monitorar discurso com fins de retaliação.
Pressão sobre plataformas — responsabilidade vaga das redes; notice and take down sem ordem judicial; protocolo de segurança usado como retaliação; agência com poder de mandar remover conteúdo de interesse público.
Carta e lista: fsu.org.br/anticensura
Para assinar: queroassinar@fsu.org.br
Equipe organizadora: Eli Vieira (presidente), Hugo Freitas (diretor jurídico), Newton Cannito (Utopia Brasil) e David Ágape (diretor de comunicação).
Sobre a FSU-BR
A FSU-BR é associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1º de dezembro de 2025. A organização nasceu como desdobramento das investigações do Twitter Files Brasil e da Vaza Toga 2 produzidas por David Ágape e Eli Vieira. Vieira é o presidente. Eu atuo como diretor de comunicação. A associação é ligada à rede da Free Speech Union, que já existe no Reino Unido, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia e Canadá.
O estatuto fixa uma finalidade única: defender e promover a liberdade de expressão em sentido amplo — inclusive em juízo, como parte ou interveniente, e por campanha por mudança legislativa.
A organização tem quatro princípios que são cláusula pétrea e não podem ser alterados nem pela assembleia:
Liberdade de pensamento, informação e expressão como direito humano e condição para o desenvolvimento da personalidade.
In dubio pro libertate. Restrição pública à fala só em caso excepcionalíssimo, lida da forma mais estreita possível. O estatuto rejeita, de antemão, pretensão de calar baseada em dano duvidoso, indireto ou subjetivo — discurso de ódio, ofensa a sentimento moral ou religioso, suposta desinformação no debate público, incitação abstrata a crime futuro sem risco efetivo do resultado.
Independência e apartidarismo. A associação cultiva diversidade de pensamento entre os membros, guarda neutralidade no que extrapolar essa finalidade e defende a liberdade como garantia universal — independentemente da ideologia de quem foi calado no caso concreto.
Promover a cultura da liberdade, a tolerância à fala e ao debate em espaço público e privado.
Os membros beneméritos, título que o estatuto reserva a quem prestou serviço relevante à causa ou à própria associação, dão o recorte de que a FSU não é clube de uma tribo. Estão nesse conselho o jornalista Glenn Greenwald, a comunicadora Penélope Nova, o constituinte Roberto Freire, o advogado André Marsiglia, o jornalista Claudio Dantas, o CEO da Free Speech Union International e ex-embaixador britânico Jon Benjamin, o jornalista Leandro Narloch, a jornalista Lygia Maria e o jornalista Michael Shellenberger. Gente que discorda entre si de quase tudo — e que cabe no mesmo estatuto justamente porque o critério não é o conteúdo da fala, é o direito de falá-la.
Quem quiser se associar: fsu.org.br. Há membro efetivo, a R$ 30 por mês, e membro contribuinte, a R$ 90. O associado pode pedir apoio quando a própria liberdade de expressão for violada ou ameaçada. A diretoria analisa o caso — complexidade, interesse público da fala, recursos da entidade, deveres do associado. Quem já está sob ataque e ainda não é membro pode ser encaminhado a advogado parceiro.
Quem já assinou
Já assinaram candidatos de doze partidos: Novo (30), PL (14), PCO (7), Republicanos (3), Avante (2), União (2) e um nome cada de PSD, Missão, PSB, PP, Cidadania e Podemos. São 64 assinaturas até agora. A lista continua aberta.
Candidatos à Presidência da República
Romeu Zema (Novo), 30
Rui Costa Pimenta (PCO), 29
Candidatos à Vice-Presidência da República
Eduardo Girão (Novo), 30
Candidatos aos governos estaduais
Brunno Dias (PCO-SC), 29
Izadora Dias (PCO-SP), 29
Candidatos ao Senado Federal
Carol de Toni (PL-SC), 221
Cristina Graeml (PSD-PR), 555
Marcel Van Hattem (Novo-RS), 300
Marcos do Val (Avante-ES), 700
Ricardo Salles (Novo-SP), 300
Candidatos à Câmara dos Deputados
Adriana Diniz (Novo-MG), 3058
Adriana Ventura (Novo-SP), 3030
Adrilles Jorge (União-SP), 4401
Arthur Cesconetto Souza (PCO-SC), 2929
Babi Mendes (PL-SP), 2206
Bárbara Botega (Novo-MG), 3000
Barbara Kogos (Novo-SP), 3099
Braulio Lara (Novo-MG), 3030
Carlos Henrique (Missão-MG), 1414
Carol Sponza (Novo-RJ), 3001
Cláudio Caivano (Republicanos-SP), 1009
Cris Monteiro (Novo-SP), 3011
Cristiano Caporezzo (PL-MG), 2212
Cristovam Buarque (PSB-DF), 4023
Fábio Ostermann (Novo-RS), 3003
Felipe Camozzato (Novo-RS), 3030
Gilson Marques (Novo-SC), 3050
Guilherme Livoti (Novo-PR), 3043
Homero Marchese (Novo-PR), 3050
Janaína Paschoal (PP-SP), 1150
João Pimenta (PCO-SP), 2929
Julia Zanatta (PL-SC), 2233
Leandro de Jesus (PL-BA), 2233
Luiz Lima (Novo-RJ), 3030
Marcio Pacheco (Republicanos-PR), 1077
Marcos Cintra (Novo-SP), 3001
Marília Dantas (União-PB), 4422
Marina Helena (Novo-SP), 3007
Miriam Guzella (Novo-MG), 3006
Rebeca Ramagem (PL-RJ), 2217
Reginaldo Ferreira Tiago (PL-MG), 2256
Roberto Freire (Cidadania-DF), 2323
Simone Souza (PCO-SP), 2900
Susanna do Val (Avante-SP), 7010
Tenente Melo (Republicanos-MG), 1035
Vile Santos (PL-MG), 2211
Warley Mól (Novo-MG), 3033
Candidatos às Assembleias Legislativas
Adan Godtfredsen (Novo-MG), 30888
Bruno Engler (PL-MG), 22222
Catharina Donato (Novo-SP), 30777
Cesar Mello (PL-PR), 22.357
Fernanda Altoé (Novo-MG), 30007
Francisco Muniz (PCO-SP), 29000
Gerson Pires (Novo-SP), 30111
Giuseppe Riesgo (Novo-RS), 30500
Jordan Tavares (Novo-MG), 30700
Júlia Lucy (PL-DF), 22190
Madeleine Lacsko (Podemos-SP), 20800
Marília Amaral (PL-MG), 22999
Matheus Schilling (Novo-RS), 30123
Paulo Kogos (PL-SP), 22038
Rian Pereira (Novo-MG), 30000
Rodrigo Marcial (Novo-PR), 30456
Rosana Rabelo, (PL-SP), 22102













