Hoje, às 21h, no Dossiê Semanal, vou detalhar a série Vaza Toga 5 e o que ela revela sobre o uso da máquina do Estado contra um único alvo — e contra milhares de nomes no meio do caminho.
Primeiro, a Corregedoria Nacional e o gabinete de Alexandre de Moraes transformaram um pedido pontual numa varredura com 2.119 CPFs, cruzados com os quadros de tribunais de todo o país. Entre eles, 711 pessoas que nem eram rés nem investigadas.
Depois, o mesmo método voltou: um sorteio automático de perito virou ordem nacional para revisar cadastros em tribunais estaduais, eleitorais e federais. O alvo era Eduardo Tagliaferro, ex-chefe da assessoria de desinformação do TSE, denunciante de Moraes e, hoje, réu num processo relatado pelo próprio denunciado. O cerco fechou dinheiro, defesa e profissão. E a base de tudo — o mandado de prisão usado no pedido de extradição — não aparece no BNMP nem na certidão do STF.
Agora a defesa foi ao Ministério da Justiça. O mandado e o parecer da PGR usados na Itália não existem no processo brasileiro. Só existem no pacote enviado a Catanzaro. Os advogados pedem preservação dos originais e aviso formal às autoridades italianas.
Também vou tratar de outro caso desta semana: o delegado da PF que tentou desinflar o Pixuleco em Natal e que integrou a comitiva de Janja em Paris.
O fio é o mesmo: o Estado age rápido quando o alvo é político — e some quando se pede o documento que justificou a ação.


